O TATO É O SENTIDO

domingo, maio 01, 2016 1 Comments A+ a-



A
os olhares inebriantes, que enfadonham os menos preparados, desejamos um pequeno brinde. Erguendo taças ao alto, celebrando toda a existência que nos transforma aos poucos. O inefável é sempre uma surpresa no superestimado mundo comum, e há quem apenas busque o limite máximo do extraordinário. Isso está além do final do arco-íris e do mês. Sem dinheiro em conta ou potes de ouro. É a magia de não saber do que se trata, o estimulante desconhecido que rejeita a intimidade para se gabar eternamente de sempre estar surpreendendo. Só assim para o gerúndio não ser criminalizado.

Os bolsos furados não enriquecem ninguém mas garantem que não se guarde mais do que se possa carregar. De mãos vazias e coração cheio; essa é a economia que não se pratica no capitalismo emocional, mas que rende em longo prazo. Entretanto, quem consegue assassinar o imediatismo? Nessa necessidade de fazer história breve e ficar apenas marcado na memória curta, os incautos perdem a chance de serem lembrados pela última geração que cultivou a sabedoria em detrimento à reverência ao irresistível supérfluo.

Pelas veredas da liberdade moderna, onde poucos são aqueles que conseguem educar os ouvidos para escutar mais respirações e menos sinais de bateria fraca, nem tudo é um completo desperdício. Existem conexões analógicas esperando por um login orgânico, o contato que não se digita num teclado mas faz um uso muito mais interessante dos dedos.

A modernidade substituiu o tato. Mas nenhuma criatividade contemporânea suprirá a linguagem da proximidade, a troca de temperaturas, o diálogo silencioso entre derme e epiderme, a fricção e o arrepio.

Quem não tem tato, vive escravo dos outros quatro sentidos.

Não é a toa que a pele é o maior órgão do corpo.

Imagem: Romanlily