EXTRA! EXTRA! CONJUGAL

sexta-feira, março 11, 2016 2 Comments A+ a-

De mãos dadas, um alvo se move. Dentro da relação, alguém voluntariamente se desconstrói na iminência de ser montado, peça por peça, por outra pessoa.
O amor não é escudo quando a arma é o sexo. Então, ou você se rende ou morre.

Desconhecidos entram com novas trilhas sonoras. Você tenta tirar um fone de ouvido mas a música está no quarto todo. Ninguém pede trégua quando o arrepio é no pescoço.

As peças não se encaixam logo de cara, mas a novidade costuma lubrificar o suficiente pra que pareçam de fábrica. Agora tudo entra e sai - ainda que ninguém acorde no outro dia pra dar bom dia. Só pra dar a segunda.

Porta-retratos de cabeça pra baixo, assim como você numa posição diferente. A mensagem chega e ela está com as mãos ocupadas. O telefone toca mas a boca pode tudo, menos falar. A aliança escapa do dedo quando o outro puxa o cabelo pra olhar dentro dos olhos enquanto faz história com seus quadris.

O mundo culpa o irresistível, você culpa o tempo que perderam com distrações. As preocupações ficam do lado de fora quando ele está dentro de você. E você sai. Do controle.
Nada poderia ser mais alto que o céu daquela boca.

O que atrai, trai.
De olhos cheios, todos julgam.
De olhos fechados, todos extasiam.

Em público, estão acompanhados demais para cruzarem olhares e descruzarem os braços.
Alguém só quer o segredo do outro mas sem os protocolos de relacionamento.
E você não apenas se entrega. Você se coloca numa correspondência e o outro te abre, te lê letrinha por letrinha até decorar todas as suas extensões.

Não importa o quanto o seu compromisso se importe.
Alguém se exporta e acaba te desabotoando inteira. Imagem:
Cristian Negroni

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

2 comentários

Write comentários

Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.