A CARTA SECRETA DOS DIAS COMUNS

segunda-feira, fevereiro 08, 2016 0 Comments A+ a-

No caminho até minha antiga casa, eu não olhava a vizinhança
Ignorava cenários e paisagens apenas por capricho
Não queria ter a atenção presa sem dinheiro pra pagar a fiança

O mundo gostava de me ver apenas existindo
Sem brincar com o cotidiano
E inventar novas histórias para o que já estava certo

Até que a pasmaceira cansou-se do culto ao mesmo
Quis dramaturgir toda a previsibilidade do meu personagem
Eu nem sabia decorar caminhos novos
E agora existiam até falas
Que nunca quis aprender sem improvisar

Num dos improvisos
Percebi que te acomodaram num lixo
Num depósito de ideias boas usando roupas ruins
Mas algo em você brilhava, mesmo de olhos fechados

Então resolvi te desamassar
Te desdobrar
E te ler

Foi aí que descobri que eu não tinha mais residência
Pois a cada palavra sua
Uma nova viagem começava

E o longe era sempre perto de um lugar melhor Imagem: Valentino Grassi

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.