O TAPETE VOADOR

terça-feira, dezembro 08, 2015 0 Comments A+ a-



Poderia ser um flerte com uma certa imoralidade, mas não era. Não está sendo. Não tem sido. 
Curiosos não costumam ter sete vidas, mas vivem como se tivessem. Culpa do estímulo de alguém que, mesmo com as mãos pequenas, consegue esmagar a confiança dos mais seguros de si.
E não sorri de graça, sem propósito predefinido. Talvez seja apenas pra se certificar da imortalidade de uma curiosidade, plantada até a raiz dar a volta ao mundo e sair do outro lado.

Diante de tanta intensidade, fechar os olhos é uma quebra de leis. Acredite. Qualquer um ficaria abstinente de sono voluntariamente, só pra tentar catalogar os movimentos dessa criatura. 
Imprevisível, como o recheio do seu sanduíche favorito em restaurantes de caráter questionável. Mas o sabor? Vale o risco. Vale saborear.

Uns salivam, outros choram. Você, provocativamente, lubrifica.

Então alguém te morde em pedaços pequenos na tentativa de lhe transformar numa refeição que dure o suficiente pra juntar orgasmos já múltiplos e criar um hecatombe de sensações. 

Era você vestindo desconhecidos com suas músicas de refrão difícil, pois o que vale mesmo é o que se diz nos versos que não rimam. Ali, alguém tenta pegar a sua confusão e fazer algum sentido, mas ninguém consegue ficar consciente diante dos seus passos sobre egos, histórias, relações.

Dizem que o segredo para não se deixar levar pelo encanto de pessoas desconhecidas nas ruas, é varrer toda aquela beleza ocasional para debaixo do tapete.

Mas parece que com você, o tapete voa.

Imagem: SofiV Photos

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.