O ASSASSINO DO VITIMISMO

quarta-feira, agosto 19, 2015 3 Comments A+ a-



Você chegou abrindo seu coração e eu apenas desejando abrir sua carteira. Não que eu seja ganancioso e não saiba o que fazer quando me oferecem sentimento mas a verdade é que eu precisava de um empréstimo para pagar meus pecados.
O pior deles?

Sou acusado de matar o vitimismo com antibióticos.
Sou culpado por tentar aniquilar a pior sensação do mundo desde a falta de amor próprio. Sou julgado diariamente por cancelar as transferências de responsabilidade no Banco Central da vida.

Culpa é como filho: a gente tem obrigação de assumir. E se hoje serei condenado em todas as instâncias é apenas pelo seu direito de não construir sua casa na Rua da Acomodação. É para que você não estacione seu carro na vaga dos Coitados S/A. É para que você não seja o primeiro colocado no concurso público para o cargo de Profissional em Vítima das Circunstâncias.

Afinal, somos responsáveis pela dualidade sucesso/fracasso de nós mesmos. Quer reconhecimento? Vá ao IML. Pois se formos apenas ferramentas, só resolveremos problemas… enquanto os outros lucram com as soluções.

Então, se tiver alguns centavos sobrando, financie minha liberdade. Ela pode ser a sua também.

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

3 comentários

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Maya Quaresma
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19 de agosto de 2015 15:05 delete

Primeiramente, palmas, segundamente (hahah) peraí que ainda não sei como comentar isso. Acabei de ser esbofeteada! Com uma pura duma verdade que esse texto se revelou pra mim. Você andou lendo meus diários? rs...
Mas tá, é assim mesmo. Estamos fadados à acomodação. Nós queremos ser reconhecidos, mas o problema é que as vezes não fazemos por onde. Estamos tão concentrados em querer ser alguma coisa. Em querer mostrar alguma coisa, que esquecemos de fazer essa tal coisa. Cadê a ação? Aquela que tirará nossa bunda do sofá, que calará as nossas falas de vitimismo do "porque não comigo?", e nos fará de fato, agir para alguma coisa.

O importante no final das contas nem é o reconhecimento. Claro que ele é bom. Eu adoro. Mas o mais importante é o fazer. Independente do que os outros vão pensar. O que importa é o que nós fazemos. O que nós queremos. E se isso nos faz bem. Reconhecimento? Pode ser consequência ou simplesmente nunca existir. Tantos grandes pensadores só se tornaram "alguém" depois de mortos. Mas eles não deixaram de fazer algo por conta disso. Por que nós deixaríamos?

E sim, nós somos o nosso próprio sucesso. Ou nosso fracasso. A questão é, o que escolheremos?

Caaaaaara, tantas discussões para este texto! hahahaha Brilhante, como sempre.
Beijo meu.

https://sobaluzdalua.blogspot.com

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19 de agosto de 2015 19:55 delete

Genial! Li três vezes pra poder notar todos os detalhes em cada trecho.
Parabéns!

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Vitor Costa
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25 de agosto de 2015 23:34 delete

"Quer reconhecimento? Vá ao IML" hahaha Formidáveis as construções metafóricas cada vez mais inventivas e surpreendentes.

Nada mais revoltante do que pessoas que se fazem de vítima, quando, na verdade, são favorecidas pelas circunstâncias.

Abraços Brunno

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.