O PREÇO DA FELICIDADE INDIVIDUAL

segunda-feira, julho 06, 2015 6 Comments A+ a-



Como falhei assim, de forma tão profissional, aparando arestas de qualquer atributo positivo visível a olho nu sobre mim?
A resposta estava ali, descendo pela sua garganta pois você ficou com fome e a engoliu para servir de refeição no meio do dia. Sem mastigar.

Tudo continua caindo ao meu lado e bem em você. Regrinha de três onde a conta e os olhos não fecham. E pobre, economizo elogios pra sobrar algo a lhe presentear num natal que nunca chega. Já o frio, ah, esse descobriu um acampamento em minhas faculdades emocionais e eu faço bonecos de neve com os rostos das pessoas que decepcionei de propósito.

Quisera perder a memória como perdi o respeito. A admiração sequer se transforma num sentimento real quando decido conhecer a sensação. Ficou tudo em algum lugar onde só você conhece a rodovia que leva ao destino. Mas voltar nunca foi minha habilidade default. Bom quando é paraíso. Ruim quando é precipício. Ótimo quando não é uma hospedagem de 7 dias e 6 noites na zona de conforto.

Peguei sua mão como quem pega uma virose. Fiquei de cama – melhor parte – mas quando precisamos de remédio, algo no processo não deu muito certo. Claro que tentei me convencer de que talvez sua companhia não permita nenhuma porcentagem de sanidade, era preciso adoecer em seu vírus e celebrar uma vida inteira apaixonado por medicamentos genéricos de sua indústria farmacêutica devocional.
No final, funcionou tão bem quanto ligar 110v em 220v: Quando está começando a ficar bom, a coisa toda pegou fogo. No pior dos 5 sentidos.

Em tempos de seca, reguei a última semente de gentileza com a água na boca que costumava te deixar. Não era potável, mas foi capaz de não matar de sede o que restava do meu cavalheirismo digno de 1920.
Agora, com a cortesia de alguém que tem mais etiqueta que uma boutique parisiense, me despeço da liquidação de sua companhia para comprar em outras lojas.

É tudo muito mais caro. Mas eu economizei o suficiente pra pagar pra ver.


A DESCRIÇÃO DA DISCRIÇÃO

sexta-feira, julho 03, 2015 2 Comments A+ a-




É um descompasso dentro do tempo

quando um dos seus olhos pisca

durante a quarta temporada de uma série qualquer

Pois o cobertor escorregou pelo sofá

Onde você guarda cada momento
Cada amor a primeira vista

Antes de um necessário salve-se quem puder 

Antes de autorizar um deixar pra lá 


Pensa num futuro distante daqui

com a geladeira aberta

e um coração vazio de propósito 

pois precisa de espaço pra pensar 
 


Tão disfarçada que nem reconheci

sua postura quase certa

trancando as ideias num depósito 

pois revoluções podem esperar

Mas antes do café da manhã
quando lágrimas temperam o leite 

Eu bebo sem adoçante 

só pra você ficar saudável 



Sempre adormecia no divã 

para que você não aproveite 

e descubra qualquer agravante

em meu caráter questionável