QUANDO O PRESENTE NÃO É UM PRESENTE

sexta-feira, junho 19, 2015 8 Comments A+ a-



Mesmo odiando o tato, eu sei que você se pega pensando em como seria. Se ficasse mais tempo tomando aquele café amargo, segurando a xícara até que esfriasse a ponto de não ficar mais agradavelmente tomável. Recusando a voz que não mora mais em seu coração mas segue entrando em seus fones de ouvido. 
Ruim quando beijos certos não te deixam escolha, a língua fica no lugar do cérebro e só o dia seguinte é capaz de restaurar as configurações originais.

Mas aí a Joss Stone aparece no Spotify antes do despertador enquanto você dança se desviando das roupas no chão do seu quarto e eu nem consigo fingir que estou dormindo.



Atrasados como os novos amores, lembro que você entrou sem que ninguém lhe oferecesse uma bebida, ou uma informação sobre algum endereço que você nem sabia que procurava. Certamente você não colocaria ‘intrometida’ em seu currículo, creio que arranjaria qualquer coisa que discordasse do eufemisto. Provavelmente algo como ‘desbravadora de personalidades sociais ocasionais’. Isso, claro. É levemente mais bonito quando soa complexo e misterioso.



E agora, sob os poucos presentes que ganhou, um novo relacionamento ainda não está tão conectado quanto a Netflix. Olha lá você trocando contatos físicos por seriados. Às vezes você só queria que as pessoas tivessem legendas sobre o que estão pensando.



O que fazer quando a cartomante decidiu jogar poker com as cartas do seu futuro?

Ficar no passado.


Imagem: teetsy

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

8 comentários

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Sérgio
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26 de junho de 2015 11:15 delete

Excelente texto, Brunno. Muitos sentem a afetividade misturada com nosso cotidiano particular, mas poucos conseguem traduzir este caldeirão de emoções em palavras. Perfeito! Aguarde mais visitas!

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Bruna Lima
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26 de junho de 2015 21:03 delete

Olha lá, ela se jogando no que verdadeiramente toca. Mencionar Joss Stone me arrancou um sorriso, dançar em qualquer melodia faz qualquer um abrir os olhos e não fingir. Leitura extremamente agradável, ótimo texto!

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Brunno Lopez
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6 de julho de 2015 15:14 delete

Volte sempre, Thayane!

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Brunno Lopez
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6 de julho de 2015 15:15 delete

Extremamente grato pela análise e gentileza da visita, mestre Sérgio. Vindo de um escritor de boas ideias, é um verdadeiro elogio.

Abração.

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Brunno Lopez
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6 de julho de 2015 15:16 delete

A Joss cabe em qualquer texto, em qualquer lugar.
Muito feliz por sua visita e também por seu gosto musical!

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Carol Russo S
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23 de julho de 2015 19:45 delete

Das poucas vezes em que vim aqui, não me arrependi.
Gostei do tom do texto, mas, principalmente, do desfecho!

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Brunno Lopez
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11 de setembro de 2015 17:06 delete

Espero que volte sempre, Carol.
Feliz em saber sua opinião.

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.