BOROGODÓ

terça-feira, junho 09, 2015 2 Comments A+ a-



Todo mundo quer ter. Nem todo mundo sabe da existência. Nem todo mundo assume que não têm. Todo mundo já conheceu alguém que tem.

É, o tal do borogodó.



Um conjunto de fatores, de sensações, de histórias? Uma potencialização incomum de um único atributo? Ok, uma pausa no tempo. Ou então, uma aceleração de pulsação.

Que tal, um encanto sem causa justificável? Melhor, não? 

Enfim, quem têm, tem.



Seria a voz? Eu gosto de vozes. 
Cordas vocais às vezes tocam mais que orquestras inteiras. Se as melhores coisas acontecem quando fechamos os olhos, o som precisa ser épico.


Por esse ponto de vista, a audição é um identificador de borogodós. O ouvido é o caminho mais rápido até o coração? 
Ah, e vocês pensando que era o estômago. 
Ao invés de abrir o livro de receitas era só abrir a boca. E usar a língua.



Mas aí tem o pessoal que se liga no perfume. As narinas são analistas de qualidade, o Inmetro do cheiro. Então, ainda de olhos fechados, o ponto em questão se concentra na fragrância. Uma dança de notas que vão direto às melhores lembranças de nossas vidas. Golpe quase irresistível? Ponto pro olfato.

Então os exércitos do toque pedem passagem. Será o tato a maior representação de borogodó dos sentidos? A maneira de reger o arrepiar dos pelos? A pegada que separa relações casuais de experiências que não terminam mesmo após se recolherem as roupas do chão?

Talvez a graça seja a imprecisão, a deliciosa indefinição. Não saber de onde vem, mas saber exatamente pra onde se vai. Pois uma vez com o borogodó, o passado é uma lembrança apagada diariamente com novas aventuras.

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

2 comentários

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17 de junho de 2015 13:14 delete

Que texto delicioso de se ler *-* É bem assim, uma mistura de sensações, de sentidos... E depois do tato, do olfato, tem o paladar também. Gostos que casam bem entre si, gostos que viciam e apaixonam. E quando dá o estalo, quem a química pega, não tem como voltar atrás.

Como sempre ótimo uso das palavras, Brunno! :)

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Brunno Lopez
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6 de julho de 2015 15:05 delete

O comentário é muito gentil. Fico satisfeito em saber que se identificou, Juliana.

Grande beijo!

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.