FUNCIONÁRIO DO MÊS NUMA FÁBRICA DE MÁSCARAS

quarta-feira, janeiro 07, 2015 10 Comments A+ a-



Quando o tal baile começou a lotação foi completa. Todos tão reais quanto a moeda corrente no país de bandeira verde-amarela-azul-e-branca. Ser quem se quiser ser, sem a preocupação de construir uma identidade correspondente ao que se é de verdade, ficou mais fácil que falsificar uma carteirinha de estudante pra pagar meia entrada até no clube da terceira idade.

Aos que recusam enfrentar o mundo de cara limpa, a vida inventou disfarces sob medida: As tais máscaras de personalidade.
Inteligente, rico, esperta, sincera, qualquer um pode atuar sem cursos de teatro, a noite é um laboratório travestido de palco. E há aqueles que batem palmas para o seu desempenho. Há aqueles que admiram sua ‘vultuosidade natural’. Há aqueles que abrem a porta de suas casas e dos seus carros – menos do coração – pois a carência não deixa ninguém enxergar direito. É o tato antes da visão.

Mas uma hora a verdade vem e já é de manhã, já é final de mês, já é aniversário de namoro, já são bodas de um metal qualquer. E aí?
Mentira ter perna curta mas sarada, né?

Felizmente as máscaras caem quando a consciência pesa. E quase ninguém com a consciência em forma precisa desses apetrechos.
Honestamente, se você não tem nada a oferecer, a Netflix tem, e você pode ficar no conforto da sua casa sem a obrigação de colocar o que sobrou das pessoas bacanas do planeta na sua zona de conforto.

Geração saúde de caráter, quantos carboidratos têm 300 gramas de postura?

Imagem: Richard Jonkman

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

10 comentários

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Nanda Probst
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9 de janeiro de 2015 13:04 delete

Sempre há um tanto de verdade atrás das máscaras.

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Bandys
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9 de janeiro de 2015 17:43 delete

Ola Bruno,
Acho que essas mascaras são iguais a rótulos.
E tem uns que se auto rotulam. Até mesmo a honestidade
que é obrigação virou virtude.
Um bom final de semana
beijos

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Thaís
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16 de janeiro de 2015 15:44 delete

Há aqueles que vivem uma vida inteira de máscaras... E isso é triste.

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Luria Corrêa
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17 de janeiro de 2015 13:47 delete

O negócio das máscaras logo fica obsoleto e o mercado defasado... Talvez a gente viva numa geração que aprecie peças rápidas e discursos fáceis. Porque o difícil, de tão repetitivo, é fácil de ser decorado. Eis mais um show onde as cortinas logo se fecham.

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Brunno Lopez
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2 de fevereiro de 2015 17:38 delete

Mais do que imaginamos, MF.

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Brunno Lopez
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2 de fevereiro de 2015 17:39 delete

Exatamente. Mas sempre é possível viver de cara limpa.
Beijão!

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Brunno Lopez
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2 de fevereiro de 2015 17:40 delete

A máscara é a verdadeira imperfeição.
Obrigado pela visita, Thaís.

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Brunno Lopez
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2 de fevereiro de 2015 17:41 delete

Pois é, tudo tão raso e superficial.
O que se pode fazer quando celebram a mentira a tiracolo?

Feliz demais pela visita, Luria.

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Carol Russo S
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3 de março de 2015 19:30 delete

Das poucas vezes em que entrei aqui, consegui ver muita verdade nos teus textos, sempre com pitadas de crítica.
As pessoas sempre usam máscaras, todo mundo tem um ponto fraco, por mais honesto que seja. O problema é quando a gente começa a acreditar no que nos reveste e a nos ver assim, no espelho.
Parabéns, Brunno.

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Brunno Lopez
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6 de março de 2015 16:42 delete

Me alegra saber que você conseguiu ter uma essência do que realmente todos esses textos significam. Pra mim, um orgulho ser visto nesse ângulo.

Muito grato pela visita!

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.