SOMOS BONS E RUINS PARA TODOS OS FINS

segunda-feira, dezembro 01, 2014 14 Comments A+ a-



A oportunidade não passa na porta de quem constrói uma casa só com janelas. Também não se esconde no fundo do copo de quem só tem canecas. 
Quantas vezes eu li isso? Incontáveis.
Tantas que, ao invés de perder a conta, eu acabei pagando. 

Melhor se, ao invés de tentar entender o GPS que a oportunidade comprou, eu usasse meu tempo pra salvar o dia com CTRL+S, sem capas que desfiguram heróis e andando pelo lado certo da rua - ainda que a verdade esteja no asfalto.

Demorei um tempo pra entender que passado e futuro são dois comediantes com piadas mais fracas que café de orfanato. Não importa o que foi nem o que vai ser. Na deliciosa e cruel realidade, todos terminamos do mesmo jeito.
Logo, vivemos para enfeitar o meio.
A vida se passa no meio, no entremeio, no decorrer, no gerúndio da existência, nas ações que já começaram e ainda não acabaram, no verbo transitivo direto – com indiretas no percurso.

Não dá pra tornar ortodoxos os radicais livres. Uma respiração é um dia a menos ou um fôlego a mais, depende onde você quer chegar. 
Então estacionamos pra ver se enjoamos da paisagem ou apertamos o passo pra não dar tempo de lembrar de absolutamente nada.

Sempre preferi tudo à vista mas quando o assunto é vida, eu divido as prestações com você. A sensação de fantasiar na realidade me ajuda a desviar dessa avalanche de seres humanos que parecem usar o raso talento que lhes foi dado unicamente para serem marionetes e fantoches de outros sujeitos que vivem abaixo da linha da pobreza de espírito.

Definitivamente, não dá pra construir um paraíso com as ferramentas do inferno. 

O desafio não é ser santo, é saber pecar com estilo.

Imagem: Kim

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

14 comentários

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Bandys
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1 de dezembro de 2014 20:10 delete

Muito bom texto.
pecar com estilo não é
pra qualquer um.
beijo

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Lainha
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2 de dezembro de 2014 14:05 delete

Você fica mais bonito ainda escrevendo. Mais do que tocando bateria ou despenteado. Não deve parar nunca!
Nesse processo de mudança da casa e da vida que estou atravessando, me emocionei lendo esse texto e pensei: "já que sou uma santa suja, sem culpa, acho que tenho estilo". rsrs
Uma dose de pecado por favor!! ;)

Um beijo, visse! :*

(ela adora esse teatro)

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2 de dezembro de 2014 18:38 delete

Acho que peco com estilo.
Quando era criança, sempre que fazia uma arte, pensava; Já que vou apanhar mesmo, vou aproveitar.
(hahaha)
Sigo essa linha de raciocínio até hoje quanto aos pecados que acho que vale a pena cometer.

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S
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5 de dezembro de 2014 16:15 delete

Brunno, dá vontade de pegar pra mim tudo que você escreve, essas metáforas, tudo. Você me acusaria de plágio? haha
Acho que se for pra fazer o "errado" que seja bem feito, pelo menos depois o arrependimento vem junto com a satisfação.
Beijos

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15 de dezembro de 2014 12:28 delete

"A sensação de fantasiar na realidade me ajuda a desviar dessa avalanche de seres humanos que parecem usar o raso talento que lhes foi dado unicamente para serem marionetes e fantoches de outros sujeitos que vivem abaixo da linha da pobreza de espírito."

Me identifiquei absurdamente com esse trecho, visto que, mesmo sendo a vida inteira aconselhada a botar os pés um pouco mais no chão e cair na real (por mais subjetiva, particular e individual que a percepção dessa coisa chamada "realidade" seja), preferi ignorar todos os bons e sábios conselhos e me entregar com pouca moderação a fantasia. Ela funciona para mim como um combustível para encarar as fases em que o ontem, o hoje e o amanhã se misturam, porque o futuro não acrescenta nada de novo e a vida mais parece um carrossel girando lentamente com uma música feliz e irritante de fundo, nos lembrando que devemos nos sentir gratos pelo fato dele ainda girar (embora a vontade seja pular do balanço em um salto suicida).

Na verdade só entramos nesse jogo, nessa transitoriedade entre o tédio e a decepção e a euforia da esperança de uma descoberta sublime que nos revele o sentido de todo esse sistema, porque no fundo, tememos o verdadeiro desconhecido. O que vem depois do último suspiro, quando os olhos se fecham de vez. Se é que vem alguma coisa. No fundo somos conformista, preferimos a praticidade do marasmo do ceder aquele desejo súbito de acabar com isso logo de uma vez.

Excelente texto.

Beijos =*

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16 de dezembro de 2014 13:22 delete

Quando se peca com estilo o pecado nem descoberto é, o arrependimento nem chega muitas das vezes.
Eis o lado bom!

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Brunno Lopez
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9 de janeiro de 2015 14:02 delete

Ainda bem que ainda existem aqueles que conseguem fazer isso e não serem condenados.
Muito grato pela visita. Beijão.

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Brunno Lopez
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9 de janeiro de 2015 14:03 delete

Quanto exagero. Agradeço muito suas gentis observações, de verdade.
Sobre doses de pecado, às vezes é igual vinho: Uma taça por dia pode fazer bem à saúde.

Grande beijo!

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Brunno Lopez
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9 de janeiro de 2015 14:04 delete

Não esperava menos de você.
Quando se sabe o que vem, a gente sempre faz o que pode.
Mesmo que sejam pecados!

Beijão!

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Brunno Lopez
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9 de janeiro de 2015 14:06 delete

Não acusaria, a srta já está aqui desde o começo!
Concordo com seu segundo parágrafo, viu?

Fique bem, beijão!

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Brunno Lopez
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9 de janeiro de 2015 14:36 delete

Sem palavras para sua precisa observação.
Nada é mais delicioso pra quem escreve quando existe uma réplica de qualidade sobre o texto abordado. Você foi além.

Grande beijo!

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Brunno Lopez
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9 de janeiro de 2015 14:46 delete

Concordo em todos os gêneros, Ariana!
Beijo!

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.