TOME VERGONHA (E CHUVA) NA CARA

quarta-feira, abril 16, 2014 17 Comments A+ a-



Não desista de uma existência aparentemente medíocre até encontrar alguém que te faça ter pensamentos inapropriados. Perder o controle das próprias emoções é um sinal corajoso de amadurecimento pessoal. 

Tente fixar os olhos no espelho e gostar do que vê ali. Acredite em mentiras eventuais, elas serão úteis para lhe preparar psicologicamente até a verdade chegar.



Coloque a naturalidade num liquidificador cheio palavras cruas, recém-chegadas do frigorífico de ideias, e espere para se viciar numa vitamina tão nutritiva quanto o cardápio de um restaurante vegetariano. 
Mas a vida pede carne e você ainda acredita que a felicidade está no churrasco e não nas pessoas que pagaram R$40,00 pra estar nele.



É permitido usar a visão periférica em seu próprio favor. Numa dessas você pega um olhar distraído e muda as fechaduras da sua casa. Lembre-se que a simplicidade anda de mãos dadas com o inesperado, logo, não é necessário se matricular no curso superior da complicação.



Deixe as roupas no chão, é uma decoração indireta quando a noite acaba bem. Não procure identificar rostos ou procurar retratos, guarde a respiração. Fique com o capítulo, esqueça a história. Memorize os detalhes, abandone o conjunto. A gente só se lembra das cenas, nunca das temporadas.

Abra o coração, não o guarda-chuva. As gotas sempre encontrarão um jeito de escorrer pelo seu corpo, é melhor se deixar molhar por inteiro. O sol prefere secar do que queimar.

Imagem: Rayani Melo

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

17 comentários

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Nina
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16 de abril de 2014 17:17 delete

Quero trancar minha faculdade no curso superior da complicação, como faz?
Brunno, como eu tava sentindo falta das tuas palavras!
Abraços.

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Bruna Lima
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18 de abril de 2014 01:05 delete

Nossa, comecei a ler pelo título com um sorriso no rosto. Mal sabia que ia me encantar por cada linda bem delineada dos teus pensamentos tão bem colocados, postos a fazer qualquer um a sair e tomar esse banho de chuva, de se lambuzar e se jogar nele sem medo. (Aqui chove, aqui dentro depois de ler tudo isso)...
Surpreendente e principalmente avassalador do medo, da não coragem de ir, afinal vamos abrir o coração e não o guarda chuva.

Vou levar pros dias, pra vida.
Fica aqui o trecho que mais gostei (além de tudo):
"Não procure identificar rostos ou procurar retratos, guarde a respiração. Fique com o capítulo, esqueça a história. Memorize os detalhes, abandone o conjunto. A gente só se lembra das cenas, nunca das temporadas."

Anotei ;)

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Deise Lima
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19 de abril de 2014 22:48 delete

"A gente só se lembra das cenas, nunca das temporadas." Isso é um fato, na verdade o texto inteiro está cheio deles!!! Muito bom, meu caro! Lidando belamente com as palavras como sempre!
Abraço

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22 de abril de 2014 12:27 delete

Que delícia de texto... Cheio de conselhos válidos pra quem vive com medo do desconhecido (diria que praticamente o mundo todo! hehe).

Gostei e me identifiquei, especificamente, com este trecho "


É permitido usar a visão periférica em seu próprio favor. Numa dessas você pega um olhar distraído e muda as fechaduras da sua casa."

Sucesso, mestre! ;)

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Ariela
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23 de abril de 2014 14:52 delete

É muito bom abrir o coração para o mundo, sem medo do que vai vir. Como você disse "Lembre-se que a simplicidade anda de mãos dadas com o inesperado", assim, esquecendo as partes complicadas e se deixando simplesmente viver (com um pouco de chuva na cara, quem sabe?) podemos acabar vivenciando momentos surpreendentes.
Para mim, esse foi aquele tipo de texto que a gente lê justamente quando está precisando, sabe? E que, com certeza, ajuda a fazer tudo ficar um pouco melhor.
Um abraço!

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Karla Dias
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23 de abril de 2014 16:58 delete

Imersa, foi a impressão que tive ao terminar de ler.
Seu texto tem tanta vivacidade que até senti cheiro de chuva no calor do sertão da Bahia. Li algo em Osho hoje que se parece com seu texto, falava de deixar fluir e se deixar levar como um destroço feliz.
Adorei...

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Ana Carolina
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25 de abril de 2014 08:52 delete

"Memorize os detalhes, abandone o conjunto. A gente só se lembra das cenas, nunca das temporadas."
Caramba! Era tudo o que eu precisava ler hoje!!
Você não cansa de surpreender com esse jogo de palavras!!

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Brunno Lopez
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9 de maio de 2014 09:48 delete

Nina, esteja livre para abandonar esse ano letivo.
Nem preciso dizer o quanto me sinto honrado de ter você como leitora.

Beijo grande.

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Brunno Lopez
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9 de maio de 2014 09:50 delete

Xará, grato pela sua visita e ainda mais pelo ponto de vista gentil e deveras preciso. Espero que a atualização tenha sido intensa o suficiente para que o seu dia mude pra melhor.

Aguardo sua volta. Agradeço de coração a gentileza.

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Brunno Lopez
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9 de maio de 2014 09:51 delete

É bom quando as verdades se jogam diante da gente.
Agradeço demais seu carinho e opinião de sempre, Deise.

Beijão.

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Brunno Lopez
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9 de maio de 2014 09:53 delete

É válido quando algo que escrevemos faz sentido pra alguém, principalmente se for pra você.
O sucesso está em opiniões como a sua.

Volte sempre.

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Brunno Lopez
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9 de maio de 2014 09:54 delete

Nada mais gratificante que acertar o momento necessário de alguém. Essa é a sintese da escrita, fazer caber palavras no dia de alguém.

Espero continuar a ser relevante.
Beijão, Ariela.

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Brunno Lopez
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9 de maio de 2014 09:55 delete

Talvez "intensidade" seja a palavra que eu mais goste, depois de algumas outras. Fico satisfeito que as palavras tenham mesmo tomado conta da sua leitura, do mesmo jeito que a sua opinião tomou conta da minha.

Beijo e volte sempre.

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Brunno Lopez
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9 de maio de 2014 09:57 delete

Quando escritoras aportam aqui, eu nunca sei bem o que escrever. De qualquer forma, alegra-me saber que você continua a andar pelo labirinto de letras e se empolga quando o final chega.

Honrado sempre por sua visita.

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Luísa Zanni
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12 de maio de 2014 10:12 delete

Desejo desesperadamente que chova muito hoje. Só pra poder abrir meu coração, e não o guarda chuva. Só pra me molhar por inteiro, corpo, alma, fios de cabelo, cílios e inquietação. E depois, ficar quarando no sol.

Lindo, Brunno. Como sempre.

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Inercya
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19 de maio de 2014 20:49 delete

Sabe, gosto muito dessa maneira como você constrói os textos, cheios de figuras de linguagem. Não sei exatamente qual, mas acredito que seja sinestesia ou algo semelhante.

Quero tomar muita chuva na cara, hehehe.

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Inercya
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19 de maio de 2014 21:02 delete

A propósito, sempre fico encantada com teus comentários lá no blog. Tenho a sensação de que você lê muito mais além. :)

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.