AMOR VERDADEIRO SÓ EM CATIVEIRO

terça-feira, setembro 24, 2013 19 Comments A+ a-



Quando nada convence por completo e as pessoas são objetos
As virtudes viram artigos raros e os sentimentos, presentes caros
Numa sociedade emocional pobre, nenhum coração é nobre
E o comum soa enjoativo, descartável por qualquer mínimo motivo

A realidade do romance ofegante não faz das relações elegantes
É a superficialidade de agora descolorindo o mundo lá fora
Quem desconhece a surpresa nunca vai saber com certeza
O quão bela é a arquitetura daqueles que acreditam na própria loucura

Entre múltiplos orgasmos e diálogos obrigatoriamente rasos
Quem aumenta o som nunca escolhe um artista bom
O popular não encanta mesmo que a entrada seja franca
E ninguém acha inadmissível o clichê ser a única opção disponível

Aos mais espertos, um mundo de caminhos abertos
De janelas fechadas, mas com lembranças inesperadas
Ontem as emoções eram sinceras como as primeiras primaveras
Hoje o amor verdadeiro é criado apenas em cativeiro


Imagem: Wolbinho

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

19 comentários

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25 de setembro de 2013 21:34 delete

Quando nada convence por completo e as pessoas são objetos
As virtudes viram artigos raros e os sentimentos, presentes caros
Numa sociedade emocional pobre, nenhum coração é nobre
E o comum soa enjoativo, descartável por qualquer mínimo motivo

Disse tudo nessas 4 linhas! Infelizmente essa é a realidade dos relacionamentos.
Muiiiiiito bom mesmo Brunno.
Beijos

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25 de setembro de 2013 22:28 delete Este comentário foi removido por um administrador do blog.
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25 de setembro de 2013 22:30 delete

E como viver um amor verdadeiro em espaço tão pequeno? Onde só existem regras e a liberdade é algo utópico e intangível.
Saudade, a gente vai vivendo com saudade na alma, de quando podíamos ouvir o bom MPB tocando nas rádios e um disco de Chico era mais ouro que qualquer jóia, do tempo em que o amor sobrevivia mais que o florescer dos ipês na primavera, e as declarações de amor eram declarações de amor e não um acordo mal elaborado e exposto, servindo de alimento para a curiosidade alheia.
Saudade do amor correndo solto pelo gramado verde, dos diálogos improvisados, do desalinho de não ter a resposta pronta, da vontade enorme de aprender, crescer, compartilhar.

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Ariana
AUTHOR
26 de setembro de 2013 11:28 delete

As pessoas viram objetos de exposição, se você não expõe aquele amor pros quatro cantos do mundo, não é amor, na cabeça da maioria.
E isso que faz delas objetos.
E acreditar na própria loucura é essencial.

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26 de setembro de 2013 15:04 delete

PERFEITO o seu texto. A nossa realidade hoje é, infelizmente, bem "precária". As pessoas acham que só por gostarem ou fazerem coisas que maioria das outras fazem, já são melhores do que os outros.
Seguindo, segue de volta?
the-paradiise.blogspot.com.br/

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29 de setembro de 2013 21:15 delete

Tão triste saber que isso é verdade, o amor virou artigo raro, caro, escasso. Sorte de quem o tem, mesmo que em cativeiro.
Em textos é ótimo, em poemas é ótimo, no que você é ruim rapaz?! Parabéns. ♥
http://denovomaisumavez.blogspot.com.br/

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29 de setembro de 2013 21:16 delete

psss: o novo layout está lindo.

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Brunno Lopez
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3 de outubro de 2013 14:31 delete

Obrigado pela visita de sempre, Bárbara.
Pois é, penso que talvez tenhamos obrigação de ser mais honestos com o que acreditamos sentir.

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Brunno Lopez
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3 de outubro de 2013 14:33 delete

Justamente, essas memórias são mesmo incríveis.
Na verdade, o texto se focou apenas na inveja que as pessoas tem de algo que dá certo e é verdadeiro.

Volte sempre, srta. Amanda.

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Brunno Lopez
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3 de outubro de 2013 14:34 delete

O que é uma pena, não Ariana?
De qualquer forma, tudo pode mudar sempre.

Obrigado por estar sempre aqui.

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Brunno Lopez
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3 de outubro de 2013 14:35 delete

Obrigado pela leitura.
Não sou muito do tipo "segue de volta'. Prometo que lerei o que você escreve e, se me agradar, seguirei com prazer.

Boa sorte por aí.

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Brunno Lopez
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3 de outubro de 2013 14:37 delete

Gentileza sua.
Preferi mudar a abordagem dessa vez e fico feliz que tenha lhe agradado.

Obrigado por mais essa visita, srta. Gabriela.

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Brunno Lopez
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3 de outubro de 2013 14:38 delete

Ainda não encontrei um que realmente me agrade, vamos ver no que dá!

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Thaís
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4 de outubro de 2013 15:36 delete

Moço Brunno, andei sumida, mas cá estou eu dando as caras por aqui depois de um bom tempo.

''As virtudes viram artigos raros e os sentimentos, presentes caros'' Exatamente! Na verdade, nos dias de hoje, quem realmente sente de verdade e demonstra isso muitas vezes é visto como careta. E concordo com o que a Ariana disse, que para a maioria se não expor, não é amor. O problema é que há exposição demais e amor verdadeiro de menos por aí...

Ótima reflexão, como sempre.
Beijos.

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Brunno Lopez
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4 de outubro de 2013 17:35 delete

Bom saber que está de volta por aqui.
Realmente, quase tudo é feito mais para divulgação do que para um verdadeiro proveito a dois.

Obrigado pela visita.

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9 de outubro de 2013 22:22 delete

Lindo texto Brunno, disse tudo! Quase já não existe mais o amor verdadeiro, o amor com liberdade, com vontade de ir atrás de possibilidades para melhorar o relacionamento.
Infelizmente vivemos em um mundo onde as pessoas se contentam com pouco e só fazem esforços para se auto-promoverem.
Parabéns pelo texto.
Beijos

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Brunno Lopez
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10 de outubro de 2013 08:41 delete

Realmente, as coisas não andam muito naturais hoje em dia.
De qualquer forma, obrigado por ler e deixar sua indispensável opinião aqui. Volte sempre.

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Marie Motta
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23 de dezembro de 2013 02:29 delete

Talvez o erro esteja na busca pela perfeição, dos relacionamentos, sentimentos e todas essas coisas "certinhas e bonitas" que tentam empurrar garganta a baixo. Às vezes encontramos a plenitude e a singularidades nas pequenas produções, onde nem todos tem acesso, pois estão aguardando uma superbilheteria.

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Brunno Lopez
AUTHOR
22 de maio de 2015 14:44 delete

Talvez você tenha razão, Marie.

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.