FALE A LÍNGUA QUE VOCÊ BEIJA

segunda-feira, julho 22, 2013 12 Comments A+ a-



Odeio sopa mas essa foi a única coisa que consegui fazer com sua suposta inocência. Agora, alimento meu insaciável apetite graças às generosas porções que me rendeu.

Você sempre se vestia de segunda-feira e isso deve ter chamado a atenção do meu calendário cheio de feriados e finais de semana. Talvez as coisas boas não tenham a obrigação de acontecer em horário comercial.

A habilidade de transformar pequenos diálogos em discursos de cinema não foram suficientes para evitar que suas boas intenções ficassem de joelhos. Seu desejo de mudar a rotina era o mesmo de mudar o próprio guarda-roupa.

Um oceano inteiro cabia no seu copo d'água e pesava tão pouco.
O céu se desprendeu do teto do seu quarto e não existiam mais asas de anjo no seu número. O trem dos seus sonhos saiu da estação sem sua bagagem.

Eu dava explicações enquanto o mundo me dava os ombros. Acabei me tornando uma verdade ambulante que desfilava por sua rua de paralelepípedos.
Era a pretensão da felicidade que estava escondida atrás de alguns pontos de exclamação.

Está sempre chovendo sobre seu novo penteado e eu não consigo parar de pensar que é apenas o clima com inveja do seu eterno verão. A versão dublada do seu sexto sentido atende por minhas iniciais e engana quem te olha desatento.

Sou uma espécie de relógio barato que só quer sentir o seu pulso.

Imagem: Camila Tripoli

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

12 comentários

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22 de julho de 2013 11:08 delete

Em um turbilhão de palavras, interpretações, vagas ideias e imaginações não há respostas para perguntas inexistentes. Apenas mensagens e sentimentos.
Sem coordenação de contextos, mas com uma conexão indireta e sutil entre todas as orações e parágrafos.
Alias, a pretensão de felicidade deve se manter, deve ultrapassar a pretensão. Aguardo ansiosamente a continuação.

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Ariana
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22 de julho de 2013 13:45 delete

Entendi uma coisa diferente/tirei lição em cara paragrafo lido.
Destacando essa frase: " Eu dava explicações enquanto o mundo me dava os ombros."
Isso é normal nesse mundo egoísta em que vivemos, o mundo não quer explicações, ele quer que sejamos do jeito dele,que seja melhor pra ele, não pra gente ou para ambos.
Quanto a felicidade a gente busca a cada instante e momento vivido.
Putz, totalmente sem nexo isso, foi mal poeta!

Beijo

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Eliz
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24 de julho de 2013 11:43 delete

Ser uma segunda feira para quem tem poucas, pode ser melhor que um eterno feriado. A classe feminina agradece. rs

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25 de julho de 2013 23:07 delete

Se eu parasse pra te falar dos jogos de palavras que tu colocou aqui e eu pirei e tive que ler para minha amiga ao dizer o quanto eu te achava foda, eu colaria o texto inteiro.
Parabéns mais uma vez, Bruno!
Desculpa a redundância.

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Mayra Borges
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28 de julho de 2013 23:27 delete

Essas tuas sacadas sempre geniais. Você tem jeito de gente que tem sempre uma resposta afiada na ponta da língua. Suas palavras são fascinantes e ritmadas, a gente lê mais de uma vez pra se encantar infinitas vezes.

Muito talento, com certeza. Parabéns!
semprovas.blogspot.com
eraoutravezamor.blogspot.com

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29 de julho de 2013 00:28 delete

Quando leio um texto tão bem "bolado" como esse teu, sinto vontade de imediatamente fechar meu blog! rs
Cara, teu jogo de palavras foi simplesmente perfeito.

Parabéns! Beijão ;*

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Indd.
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29 de julho de 2013 18:29 delete

Sinceramente, eu não sei porque eu não o lia antes... Consegui esboçar um sorriso a cada oração terminada. Texto simplesmente sublime!
Agradeço suas palavras em meu blog, foram realmente relevantes!

Tenha uma ótima semana..
Beijos!

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Luísa Zanni
AUTHOR
30 de julho de 2013 15:05 delete

Que coisa mais linda, Brunno.
As coisas boas não tem, mesmo, a obrigação de acontecer em horário comercial.

Estava com saudades. Vou ficar mais um tempo por aqui.

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30 de julho de 2013 15:11 delete

Cá estou! ;)

Gostei da riqueza de metáforas e toda construção, propositalmente, despretensiosa. rsrs Vestir-se de segunda-feira e boas intenções ficarem de joelhos, muito me agrada! Nice, guy.

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30 de julho de 2013 23:22 delete

"A habilidade de transformar pequenos diálogos em discursos de cinema não foram suficientes para evitar que suas boas intenções ficassem de joelhos. Seu desejo de mudar a rotina era o mesmo de mudar o próprio guarda-roupa." Gostei muiiito! Sei que praticamente todo mundo já comentou sobre, mas preciso dizer também: me impressiono com sua habilidade de jogar com as palavras! Que texto belo e que habilidade! Fico admirada, afinal, não é toda hora que uma leitura coforta o coração assim. Parabéns =)

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1 de agosto de 2013 20:15 delete

Não sei o motivo ao certo, mas sei que costumo ler seus textos mais de uma vez, já disse isso?!
Talvez seja para entender melhor e perceber cada entrelinha bordada entre metáforas e alusões. Ou talvez mesmo, seja pra tentar absorver um pouco deste seu talento e aprender a transformar um texto sobre sopas, num verdadeiro banquete aos olhos! Sensacional, como sempre!
Acho que todos nós temos um pouco deste relógio barato, ainda bem que encontrei e me casei com meu pulso. :D

E asas no número dela? Poxa vida! Cê nos desestabiliza assim!

E como sempre, não sei o que dizer. É sempre pouco, pouco, pouco.

Abração poeta! :D

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Marie Motta
AUTHOR
5 de agosto de 2013 11:10 delete

Será mesmo o clima invejoso ou apenas quer mostrar que o eterno verão tem suas peculiaridades? A chuva é a rusticidade do verão, não tão bonita de ser vista mas com os olhos fechados sentimos seu toque morno e um cheiro único.

Ler suas frases despretensiosa e ricas de metáforas faz com que eu fique viajando em outros planos buscando novos sentidos.

Adorei te ler, é sempre bom encontrar motivos para voltar aqui.

PS: Não sei se foi o nome do blog ou o verão do texto, meu cérebro fez um analogia a uma das minhas frases favoritas de Shakespeare "O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos"



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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.