IDEIA & TEMPO: ANTIGOS INIMIGOS

quinta-feira, maio 02, 2013 12 Comments A+ a-



Ideias parecem um arsenal bélico (isso seria pleonasmo?) que explodem na cabeça sem ao menos um comunicado do Ministério da Defesa. Aquele sentimento de abraçar o mundo tomou conta de todos os territórios da minha razão e desafiou o tempo que não tenho para um duelo épico.

Como se planejar na confusão organizada que se instalou como um software pirata em nossos tempos?
Como colocar em prática os esboços aparentemente geniais sem crucificar horas vitais de sono profundo e fabricação de conhecimento indireto?
Como começar algo novo mesmo sem terminar nenhum dos outros projetos igualmente importantes que seguem por todo o sempre em andamento?
Como se dedicar de maneira considerável a tantos espasmos criativos sem ser seduzido por informações externas que borbulham num caldeirão de uma feiticeira poderosa, a qual chamamos de vida?

Não possuo mais a habilidade de controlar profissionalmente os meus estímulos. No estágio atual de funcionamento, apenas despejo coisas novas, dos mais variados sabores, num bolo de conhecimento que nunca sequer conseguiu chegar ao forno.
Como degustar uma fatia quente de sabedoria quando o garçom cultural não para de servir teorias com o mesmo teor saboroso e obrigatoriamente irresistível?

É, eu sei que mastigar ajuda a digestão. O problema é que eu não consigo parar de comer.

Imagem: ButtercupLiffy

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

12 comentários

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Ariana
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2 de maio de 2013 17:24 delete

É, eu sei que mastigar ajuda a digestão. O problema é que eu não consigo parar de comer.

Idem poeta, eu mastigo, mastigo ideias, textos, não paro e com isso a digestão não acontece e chega um momento em que piro. Acho que nesse exato momento agora, mas mesmo assim continuo mastigando.

Beijos

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| Lilian
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2 de maio de 2013 17:49 delete

Já fui melhor em entender suas metáforas mas, em todo caso, compartilho a mesma sede.

Beijinho, Lily.

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Mayra Borges
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4 de maio de 2013 11:49 delete

O excesso de informação, seria esse o mal do século? Ou o excesso de desinformação? Bem, há controvérsias, não é mesmo?

A gente é induzido a não parar de comer, mesmo sem fome, mais porque dizem que é preciso do que realmente é. Será isso?

Estamos no automático, sabemos o que é fundamental, como por exemplo: digerir. Mas ignoramos o processo e nos entupimos de tudo quanto é coisa e ai morremos mais cedo, talvez. rs

Beijos, adorei o post.

www.eraoutravezamor.blogspot.com
www.semprovas.blogspot.com

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6 de maio de 2013 21:35 delete

O mundo e a vida são mesmo uma tremenda quantidade de informações. Já que produzimos mais a cada dia, fica relamente difícil absorver tudo ou, pelo menos, um pouco de tudo! A vontade de conhecimento é algo incrível, é demais experimentar o exercício da criatividade, da inspiração e da produção artística! Belo texto =)

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9 de maio de 2013 10:09 delete

Também não consigo parar de comer.
E pior, nunca me dou o tempo da digestão.
Enquanto faço uma refeição, já estou pensando na outra, e na outra e na outra.
Uma guerra armada dentro da cabeça, sem razão.

Nem sempre consigo mastigar suficientemente pra realizar as ideias, as vezes as perco no caminho.

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10 de maio de 2013 20:10 delete

Sou um ponto no seu labirinto de palavras que me entendem melhor que eu mesma!

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Luísa Zanni
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11 de maio de 2013 14:05 delete

"É tanta coisa no menu que eu nem sei o que comer"... e cada vez mais garçons culturais aparecem com mais menus com as mais variadas ofertas para todos os gostos, tamanhos e cores. E a gente vai sabendo cada vez menos o que fazer... Ai, esses tempos líquidos ainda hão de nos enlouquecer - ou nos curar. O consolo é saber que ta todo mundo mergulhado nessa loucura que é a vida moderna. Mas Brunno, que façamos então um brinde à essa hiperatividade involuntária! E que toda essa energia seja canalizada na construção de antigos e novos projetos, "como castelos nascem dos sonhos pra no real achar seu lugar". Ainda é melhor toda essa agitação, embora beiremos por culpa dela o desespero e vivamos sempre à flor da pele, ainda assim, ainda é melhor a agitação e o transbordar do que a inércia e a saudade de ter inspiração. Vamo que vamo!

Belíssimas palavras, como sempre. Boa sorte!

ps. Como funciona isso de registrar música? Tenho um interesse tímido, mas sou completamente ignorante no assunto. Beijos.

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13 de maio de 2013 16:17 delete

Acho que tenho o mesmo problema, várias idéias e pouco tempo para executar todas... hahahaha

Me mudei agora de cidade, na verdade pela terceira vez. Vim de Coronel Fabriciano e fui para Ipatinga no interior de Minas, e de Ipatinga para Belo Horizonte e agora para Juiz de Fora.

Mas pela primeira vez estou conseguindo efetivar aquilo que estou planejando. Conseguindo concretizar algumas poucas de várias de minhas idéias e projetos. Mas é isso aí...

ocheirinhodecafe.com

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Dani
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22 de maio de 2013 14:54 delete

Meu problema é não conseguir parar de comer, não deixar que a digestão seja feita e muito menos vomitar tantas ideias.

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Jhosy .
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23 de maio de 2013 16:42 delete

Sinceramente não sei o que é pior: O excesso de informação, que chega cada vez mais cedo e as vezes de modo desenfreado, ou a pouca informação que é alienação na qual alguns optam viver.

A velocidade com que as informações chegam até nós muitas vezes tem sido tão intensa que o fluxo impede de digerir certas coisas.

Em meio a tudo isso, penso que o mais importante é perceber que temos mesmo de filtrar as coisas, e de um modo geral, reter aquilo que é necessário para nos desenvolvermos de uma forma melhor.

Parabéns pelo post. Muito bom!
Jhosy

http://meninamsicaeflor.blogspot.com.br/

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Adna Martins
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9 de junho de 2013 15:04 delete

Eu acho que teu texto
reflete bem o que dizes: muitos são os garçons, o conhecimento não se finda e o bombardeio de informações é constante.

Eu não sei se te entendi bem, para dizer a verdade, mas eu lembrei da "dialética do esclarecimento", se não leu, leia, pelamor!
Acho massa esse conhecimento que nos prova que pouco sabemos, e que este pouco é ultrapassado a cada momento. Mas este bombardeio de informações frequente, geralmente não nos permite refletir, não nos concede tempo para tal, entende? E isso me preocupa, porque provavelmente eu não esteja desfrutando do todo, eu não tenha percebido a particularidade/detalhe.
Também pensei em outra coisa, o conhecimento que é embrulhado e guardado só para si, não é válido. O conhecimento/a ideia/o pensamento/ a reflexão deve servir como ponte ao outro, como instrumento para o diálogo. E eu percebo que fazes muito disso ;)

p.s: cara, me sinto muito bem ao entrar no meu blog e ver o teu olhar sobre o meu, obrigada. Abraço!

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.