COMO DESFAZER UM NÓ NA GARGANTA

segunda-feira, setembro 24, 2012 41 Comments A+ a-




Entenda que tudo é uma questão de temperamento. O que não funciona contigo pode facilmente fazer outra aventureira desejar tatuar o meu nome na nuca.
Por mais que a sua beleza seja uma falta de educação, a pior falta é a do amor que nem assiste mais as aulas. 
Não é a sensação de posse eterna que salvará esse ano letivo. Não são provas com consulta que alimentarão a sabedoria de um sentimento para o qual nunca tivemos vocação.
Essa felicidade em saborear a liberdade não está nos livros que nos obrigaram a ler. Eu acabei fazendo a sua lição de casa e aprendendo a viver por nós dois. Abracei desafios maiores que seu ego e não existem razões para que eu me matricule no seu coração por mais uma temporada.

Se for para cair no seu conceito, que seja de boca. Peço a conta dos seus serviços mas pagarei até o último centavo com amor. Se você ler nosso contrato de relacionamento, saberá que respeitei todas as cláusulas. Cumpri até promessas que não fiz só pra não ficar no escuro. Afinal, seu sorriso foi por muito tempo a única luz que existia em minha vida.
Ao mudar de ares, mudei de olhares. Nunca fomos invencíveis juntos, não conseguimos ser super-heróis com a capacidade de nos salvar de nós mesmos. E sinceramente, o mundo dos vilões é muito mais interessante do que essa teoria blasé que nos imputaram.
Entre o certo e o errado, eu escolhi você e a sua verdade. O problema é que elas funcionaram como anestésicos emocionais com prazo de validade vencido. Logo, tudo não passou de uma série de efeitos colaterais.


O show só começa pra quem perde o medo do palco. Eu sei todas as músicas, a diferença é que você não está mais na banda. E apesar de adorar os seus acordes, o sucesso não aceitou fazer escalas em sua capital.

Imagem: Jeremyah Rodrigues

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

41 comentários

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Mayra Borges
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24 de setembro de 2012 19:20 delete

Cara seus textos são com o perdão da palavra (fodas) a forma como escreve, eu não sei explicar o que sinto, e essa sensação de não saber o que dizer é rara, é isso que eu sinto, o texto é maravilhoso, as palavras bem escolhidas. Amei do começo ao fim. :D

www.eraoutravezamor.blogspot.com

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25 de setembro de 2012 16:36 delete

adorei, e me identifiquei sim!

E eu vou ficar pensando nesse texto hoje, e devo ainda voltar aqui amanha! : )

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Thaís.
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26 de setembro de 2012 04:17 delete

Simplesmente encantada com cada palavra, a capacidade com que você falou sobre amor de uma forma bonita e nada clichê, fez com que eu ficasse assim... Achando esse texto uma coisa realmente linda.
''Não é a sensação de posse eterna que salvará esse ano letivo. Não são provas com consulta que alimentarão a sabedoria de um sentimento para o qual nunca tivemos vocação.''
Lindo, lindo mesmo.

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Marie Motta
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26 de setembro de 2012 10:37 delete

É o que dizem, amar por dois solidão dobrada e o seu o seu texto está fantástico como sempre.
Abraços

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26 de setembro de 2012 11:51 delete

Caramba Brunno!
Como assim? Para com isso de escrever foda assim!

". Abracei desafios maiores que seu ego e não existem razões para que eu me matricule no seu coração por mais uma temporada."

Isso matou a pau.
Só podia mesmo tirar o nó da garganta.
Tirou até o meu.

Abração.

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26 de setembro de 2012 13:53 delete

metáforas indiscutivelmente inspiradoras, que enfeitaram o ditado que a tia solteirona enfatiza nos almoços de domingo, "quando um não quer, dois não ficam."

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Luísa Zanni
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26 de setembro de 2012 14:30 delete

Eu tinha me prometido que quando a greve acabasse, eu só ia mexer no blog aos domingos. Mas assim que vi um coment teu pra ser moderado lá no lua e brisa, pensei "Ele deve ter atualizado" e vim aqui espiar. Não resisti. E ainda bem que vim, porque... QUE TEXTO, CARA! QUE TEXTO! Eu to deliciosamente afogada em metáforas aqui. Quer dizer... Como é que alguém escreve "Se for para cair no seu conceito, que seja de boca" assim, naturalmente? Como se nem fosse genial? Vou encerrar a tietagem com uma conclusão à qual vc já deve ter chegado: sou tua fã. É sério. Mas vou parar por aqui porque eu tenho mais o que fazer da vida (tipo ler seus posts antigos). Ciao.

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26 de setembro de 2012 15:14 delete

Que texto maravilhoso, como sempre... Parabéns Brunno *-*

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26 de setembro de 2012 22:37 delete

PUTAQUEPARIO, com todo perdão da expressão. Você escreve demais!!! Eu grifei umas boas frases e achei a jogada das tuas linhas pra lá de perfeitas.

Adorei!

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Heitor Lima
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26 de setembro de 2012 23:08 delete

Caramba, que metáforas fabulosas! *-* Você escreve bem demais!
Gostei muito daqui, a começar pelo nome do blog >.<
Visita-me?
;D

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27 de setembro de 2012 07:42 delete

Você coloca verdade nas palavras! As vezes, existem pessoas que são como uma luz para a nossa vida, porem, um dia a luz vai embora, deixa de ser tão luminosa e, então, iremos preferir outra claridade, outro rumo, outros amores.

Beijos.

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27 de setembro de 2012 10:02 delete

Dizer mais o quê? A galera aí disse tudo.
Quaisquer adjetivos, outras e tantas expressões não poderiam sintetizar a beleza desse texto. De fato, você ensina a desfazer um nó na garganta. E isso, isso qualquer um aprende. Mas nem todo mundo pode ensinar.Encantar, arrebatar com as palavras, Brunno, não se ensina, não se aprende.
Parabéns pelo talento!

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27 de setembro de 2012 15:38 delete

"Eu acabei fazendo a sua lição de casa e aprendendo a viver por nós dois." - que bonito, que bonito, que bonito!
Como alguém de humanas apaixonada por alguém de exatas, posso dizer que me encontrei muito aqui, em cada linha, em cada frase... Lindo!

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Nina
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27 de setembro de 2012 18:05 delete

Semprei pensei assim: que é preciso um quase toque, um lábio entreaberto, um nome sussurrado para amar, para desamar, querer, reconhecer uma mulher como pouca, toda, oca, louca, mulher no sentido mais último da palavra. Existem estragos que só mulheres, ou mulheres sob a forma do amor, podem fazer ou reparar. E se o sorriso iluminou a escuridão, vai mais um quase toque da pele que arde e um nó desfeito. Os anestésicos emocionais podiam estar com o prazo de validade vencido, mas os sentimentos que proporcionaram não têm prazo - ao menos, imagino, não dentro de uma pequena eternidade, de uma cadeia de reações que causam.
Não há indiferença. Não há o que dizer diante de um texto assim, e não quero ser clichê e repetir o que todos já disseram e que venho dizendo desde que li a primeira linha de qualquer coisa sua. Deve estar confuso, mas passa o que senti (ou assim espero). E é isso que importa. Há um nó na minha garganta que vai se desfazendo com palavras assim. Nunca fomos invencíveis juntos, não conseguimos ser super-heróis com a capacidade de nos salvar de nós mesmos. E sinceramente, o mundo dos vilões é muito mais interessante do que essa teoria blasé que nos imputaram.
Não gostaria de assinar nenhum contrato de relacionamento. Cláusulas enjaulam tanto, de certo modo. As coisas ficam muito mais encantadoras em aberto.

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Roberta Melo
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27 de setembro de 2012 21:40 delete

Gostei da metáfora! Ainda não tinha lido algo semelhante. ;)

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Inercya
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30 de setembro de 2012 18:25 delete

Não tem como não achar teus textos incríveis. Parece uma dança, um compasso, uma mistura de ritmos! :)
:*

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Nina
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4 de outubro de 2012 06:46 delete

Mas é quase uma carta para Lolita, não?
Nabokov te inveja agora.
Abraços.

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Brunno Lopez
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8 de outubro de 2012 16:23 delete

Acredito que ainda essa semana teremos novidades por aqui. Obrigado de coração por todos vocês que dedicam um tempo para ler as maluquices do Teatro.

Significa muito pra mim.

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12 de outubro de 2012 21:30 delete

Suas palavras dançam na minha mente. Bom sinal, certo?!
Lindíssimo.

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13 de outubro de 2012 14:53 delete

Incrível !
Me prendeu do início ao fim ,e o que passou através de cada palavra me encantou.Certamente muitos nós poderiam ser desatados com tantas verdades transmitidas ,e metáforas perfeitamente usadas .Muito bom !

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CRis GaRcia
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15 de outubro de 2012 11:48 delete

muito verdadeiro este texto... mas porque é tão difícil.. :\

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.Sté.
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25 de outubro de 2012 16:17 delete

Tu escreve super bem, gostei dos teus textos.
Obrigada pela vista ao meu blog.

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26 de outubro de 2012 10:23 delete

"Entre o certo e o errado, eu escolhi você e a sua verdade."
E quem precisa de certo ou errado? Importa muito mais o que faz bem pra gente.

Bom dia.

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26 de outubro de 2012 14:22 delete

AMEI esse texto, me identifiquei DEMAIS, "não existem razões para que eu me matricule no seu coração por mais uma temporada." tudo o que tenho pensado ultimamente, não existe mais razão...

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Carolyne
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27 de outubro de 2012 09:49 delete

Complicado mesmo é depois de amar procurar o desapego. Só que há momentos que é quase uma obrigação nos encontrarmos de verdade pra que possamos nos perder de alguém.
Lindo texto, com seu tempero tudo fica mais doce de se ler.
=)

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28 de outubro de 2012 20:57 delete

Brunno, tenho um comentário-confissão para você, tente não me achar tola.
Quando eu comecei a escrever, lembro que seu blog foi um dos primeiros que conheci. Eu só lia seus textos porque achava você bonito (eu e as blogueiras com quem conversava uns anos atras), porque não entendia nada do que você dizia.
Mas depois desse tempo vindo aqui vez em quando, eu me surpreendo com o seu comprimisso com a sinceridade que não se compra. Se textos fossem pesáveis, os seus quebrariam qualquer balança. Então hoje, acima de qualquer qualidade sua, eu leio você pelo prazer e pelo sorriso que suas palavras me dão ao sentir o gosto de cada ponto final.
Você é diferente, e diferente é sucesso na arte.
Um abraço e um respeito intenso.
Letícia.

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Vivian Loreti
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29 de outubro de 2012 03:14 delete

Bem legal o texto. Adorei o blog.
Abraços!

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Luiza
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30 de outubro de 2012 22:40 delete

Sempre genial né Brunno, jogando com suas palavras e esbanjando inteligência. Teus textos sempre arrancam aquele riso de canto de boca e o gesto de concordância que é feito com a cabeça. É sempre um espetáculo e sempre merece as palmas.

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31 de outubro de 2012 13:55 delete

"Entre o certo e o errado, eu escolhi você e a sua verdade. O problema é que elas funcionaram como anestésicos emocionais com prazo de validade vencido." Fantástico. Vontade de que o texto não terminasse nunca. Abraço.

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31 de outubro de 2012 13:57 delete

"Entre o certo e o errado, eu escolhi você e a sua verdade. O problema é que elas funcionaram como anestésicos emocionais com prazo de validade vencido." Fantástico. Li sentindo vontade de que o texto não terminasse nunca.

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Karla Dias
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12 de novembro de 2012 21:52 delete

Que bela forma de despedi de um amor..penso em escrever algo assim. Estou de volta, passe por lá. Beijos

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Ariana
AUTHOR
21 de novembro de 2012 22:41 delete

"O show só começa pra quem perde o medo do palco. Eu sei todas as músicas, a diferença é que você não está mais na banda. "

Uau! Sei que você esta falando de um amor, mas vou usar esse trecho pra falar de amizade, o show pra mim começou e a diferença é que algumas pessoas não estão mais na banca que eu chamo de coração, mas mesmo assim ainda insistem em me atordoar de vez em quando.
Se texto ficou maravilhoso, você falou do amor de uma forma simples e ao mesmo tempo espetacular!

Beijos

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Luísa Zanni
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25 de novembro de 2012 17:03 delete

CADÊEEEEEEEEEE VOCÊEEEEEEEE?

CADÊ POST NOVOOOOOO?

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Mariposa
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30 de novembro de 2012 04:06 delete

Nossaaaaaaa muito bom o texto
:D

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Lainha
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6 de outubro de 2013 14:39 delete

O melhor do amor é mesmo o entretanto.

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.