A TOLERÂNCIA É POP

terça-feira, agosto 02, 2011 16 Comments A+ a-



O que existe aqui é uma interpretação. Uma cena. Um capítulo roteirizado com um mínimo de critério. Somos a geração do suficiente, do bastante. Idolatramos o razoável e colocamos a excelência como uma besta mitológica. Ostentamos nossas gargalhadas mais deliciosas para aqueles que buscam notoriedade pelo conhecimento.

Desviamos da auto-estrada do conceito. Somos pedestres da falsa segurança, ignoramos o volante da responsabilidade. Escrevemos com as letras da sociedade onde faltam vocábulos harmoniosos e sobram verbetes de calúnia.



Encher os olhos é encher o saco. Surpreender é assustar. Assassinar o comum é celebrar a própria culpa num julgamento formado apenas por promotores. A rotina é a medalha que todos recebem por serem os atletas do descomprometimento.



Confiar no equilíbrio dos nossos tempos é acreditar que existe esforço em dar passos numa escada rolante. O sol que você tapava com a peneira virou chuva e continua chegando sem proteção aos nossos olhos – e acredite, essas gotas não vão lavar a sua alma.



Ninguém pode reclamar um titulo de nobreza apenas por jogar flores no caixão do amor. Não se celebra a morte de quem está vivo.


Se você é agricultor e decide investir na cultura da decepção, não culpe o mundo se a safra for um sucesso. 



Imagem: Artem Khatakov

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

16 comentários

Write comentários
Cris .
AUTHOR
2 de agosto de 2011 18:52 delete

Nossa Bruno a tempos não lia algo tão bom, procurei algo para destacar de melhor parte, mas isso é impossivel, copiei e colei nos meus documentos de favoritos, só para servir de inspiração. tiro meu chapéu para ti.

abraço meu *

Reply
avatar
Luana H.
AUTHOR
2 de agosto de 2011 19:44 delete

E se não abrirmos os olhos antes de fechá-los para sempre, quem o fará por nós?


Ótimo texto!


Um beeeijo.

Reply
avatar
2 de agosto de 2011 23:53 delete

Riquíssimo texto e de grande valia. Adorei. Beijos.

Au revoir.

Reply
avatar
C.
AUTHOR
3 de agosto de 2011 06:23 delete

Legal seu texto, cheio de boas metáforas! :)

Reply
avatar
Ju Fuzetto
AUTHOR
3 de agosto de 2011 10:52 delete

"Ninguém pode reclamar um titulo de nobreza apenas por jogar flores no caixão do amor. Não se celebra a morte de quem está vivo."

Não mesmo Brunno, este trecho diz muito. O amor está sempre vivo. As inquietações é que morrem. No peito, nos olhos, na distância entre as almas. Adorei!
beijo

Reply
avatar
Raissa;*
AUTHOR
3 de agosto de 2011 23:26 delete

Esse é um daqueles textos que temos lemos e pararmos pra refletir sobre nossa vida, nossos atos.
Isso de abrir os olhos mesmo, enquanto é tempo!
Gracioso seu texto!
beeijo;*

Reply
avatar
Andressa
AUTHOR
5 de agosto de 2011 10:10 delete

Incrível.
É isso que temos hoje, um sucesso de fracassos e decepções.
Belo texto

Reply
avatar
5 de agosto de 2011 12:03 delete

Adorei seu espaço e seu texto. Gosto muito de ler coisas que fazem parar para refletir e, principalmente, sentir!

Já me tornei sua seguidora!
Meu carinho!
http://pequenocaminho.blogspot.com

Reply
avatar
Karla Dias
AUTHOR
5 de agosto de 2011 17:00 delete

Brunno

Seu texto é protesto e constatação.
São tempos estranhos esses.
Faltam valores, sobram rancores.
Pura enganação.

Bom FDS.
Beijos

Reply
avatar
Karine Melo
AUTHOR
5 de agosto de 2011 17:42 delete

''Confiar no equilíbrio dos nossos tempos é acreditar que existe esforço em dar passos numa escada rolante.''


aaah, Bruninho, suas palavras me encantam...

saudades daqui.

deixo um beijo meu!

Reply
avatar
JanaFerraz
AUTHOR
5 de agosto de 2011 18:02 delete

Bruno, talvez seja impressão, mas vejo em seus textos uma forte influência do Augusto Cury.
E nossa senhora, você escreve muito bem, é revolucionário.
Cada cabeça é um mundo e infelizmente os valores estão se invertendo. A cada dia que passa o mundo sofre um processo de desculturalização e o destino final é a decadência total.

=*

Reply
avatar
6 de agosto de 2011 12:30 delete

Teus textos me fazem refletir, é isso que eu mais gosto.

Reply
avatar
Solange Maia
AUTHOR
7 de agosto de 2011 16:40 delete

por isso tenho tatuado no pulso : o que você demora é o que o tempo leva...

belo texto Brunno...

beijo grande

Reply
avatar
N*
AUTHOR
9 de agosto de 2011 13:17 delete

Você é demasiadamente criterioso em tudo que faz. Logo, não seria diferente, quando se trata de uma visão das coisas habituais.
E esta 'interpretação'só poderia ser feita por aquele que não se adequa às páginas das revistas atuais, ao porta-retrato de uma estante comum, àquele que está além do simplório. Só poderia ser o diretor deste teatro.

Belíssimas reflexões.
(como sempre)

Reply
avatar
Nina Auras
AUTHOR
10 de agosto de 2011 17:56 delete

O que você quer é que eu copie o texto inteiro e cole aqui, como se fosse meu trecho favorito, não é? Porque sinceramente, Brunno. Ele está todo perfeito. O modo que você expõe suas opiniões é sempre tão... Sincero, bonito, seguro. Você se superou nesse texto, embora tudo o que escreva seja muito, mas muito bom. Um beijo (:

Reply
avatar
6 de setembro de 2011 11:52 delete

Que belo texto!
E as gotas lavam a alma mesmo, com certeza.

Bjs

Reply
avatar

Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.