SOLUÇÃO HETEROGÊNEA

sexta-feira, junho 10, 2011 19 Comments A+ a-



Quando o público externo acena por alguns momentos de ar mais leve, de clima ameno com gosto de férias, de som ambiente regados a solos pouco virtuosos mas rigorosamente contagiantes, é sábio respeitar e procurar os artifícios capazes de promover essa massagem relaxante na atmosfera pesada que destrói qualquer balança emocional fabricada em nossa tão imprevisível época.

Vamos elevar a tão famigerada 'vista grossa' à sétima potência e basear nossos cálculos em equações que se resolvam sozinhas. De problemas, não precisamos nem dos matemáticos.

A audiência não precisa ser informada com tanta frequência sobre os entusiastas que colecionam Oscars na categoria Frustração, apontando armas descarregadas aos desesperados por falsa sabedoria, com bolhas nas mãos e sangue nos olhos.
Cansamos desses roteiros que tem mais buracos que uma rodovia não privatizada.

Por que não respeitar o espaço auricular de quem ainda guarda admiração pelo bom senso? Não se combate o comum fazendo uso de megafones ofegantes que apenas promovem a incapacidade dos seres humanos. Quer dizer que para ingressar nessa 'sociedade organizada', é preciso preencher um cadastro do tamanho de uma viagem de pogoball de São Paulo até o Maranhão?

Se fosse possível incorporar os poderes de Lion e fazer o uso com responsabilidade da 'Visão além do alcance', todas as surpresas seriam evitadas garantindo ar puro para quem é historicamente fraco de coração.

Quem afia flechas sem ter a concessão de um arco não consegue entender a língua do futuro. Quem balbucia experiência e simula ter os bolsos transbordados de técnicas inquestionáveis na produção de qualquer elemento criativo deve procurar com urgência uma liquidação de camisas de força.

A aurora da vida não espera as migalhas do tempo. O talento criado na placenta não oferece dores ao parto mas morre quando a criatividade dá a luz.

Nunca encontrei uma mesa vaga nesse coquetel de superficialidade que andam servindo com 50% de desconto. Alguns clichês causam mais enjoo que uma volta ao mundo de caiaque.

Se for pra chegar ao céu de monomotor, eu prefiro dar passos eternos e conquistar o meu reino com os pés no chão. Olhar o mundo de cima sem saber como se manter ali é tão patético quanto praticar suicídio atirando no espelho.

Imagem: Catalin Grigoriu