O SILÊNCIO DA BONDADE

quarta-feira, abril 06, 2011 16 Comments A+ a-

Que os bons não se calem.
Eles sabem que meu silêncio representa algo muito mais sério do que uma noite toda tentando ser prolixo. Se eu estou calado, alguém está sangrando.
Causa assombro qualquer movimento que não siga os gêneros impostos historicamente por porcentagens consideráveis da sociedade. Ao passo da novidade previsível, alibis são descontruídos unicamente pela carência de argumentos.

Que os bons não se calem.
Eles sabem que você procura pelos carinhos simétricos de palavras arquitetadas com um planejamento prévio. Gasta suas economias com um sentimento que minha fábrica não produz. De operário só tenho o afinco em procurar letras incomuns dentro de um oceano de improviso.

Que os bons não se calem.
Eles sabem que você se cansou do mundo. Mas o mundo não liga pra isso.
O mundo quer que você entenda de bebidas e nunca de sentimentos.
O mundo quer a sua carteira, não os seus valores.
O mundo quer o seu pior pra vender como melhor.

Que os bons não se calem.
Eles entendem que esperar só trouxe mais velas pro seu bolo e menos presentes.
Eles entendem que a decepção é um prato que a gente nunca pede, mas o garçom traz as vezes.
E a gente precisa comer.





Leitores de '12 MESES'


*Vanê associou a sensibilidade do autor à nomenclatura dos reis, à maneira que eram tratados os membros da realeza. O autor que não é bobo a revencia veementemente.

*'N' teceu um novelo extremamente encantador aos olhos desde que vos escreve. Elogios são semore bem vindos mas o que esta criatura sublime descreveu foi de uma candura irrepreensível. Que honra.

*Ju Fuzetto provavelmente nasceu com açúcar nas mãos. Passeou pelas estações, classificou todas as palavras juntas e por fim creditou-me a magia. Simplesmente magnífica.

*Franck coloca um pouco de violência na maneira com que o texto do autor se expressa com as pessoas. Confesso que adorei essa visão. Quanto ao calendário, as folhas estão aí pra todos que quiserem rasgar, viver, 'desfolhar'.

*Daniela Filipini disse que as letras do autor são como glicose. Que possa existir uma overdose saudável disso.

*Larissa relatou sobre seus ouvidos privilegiados quanto às palavras do autor. Colocou uma beleza que faltava no texto, além de declarar surpresa quanto a atualização. Se os textos estão claros e otimistas, ela certamente tem participação nos lucros.

*Nina usa uma modéstia descomunal no comentário que julguei o mais sincero que recebi. Todas as palavras são válidas e acredite, você as escolheu muito bem.

*Ariela
revelou que inflou-se de felicidade inexplicável e deixou o autor com uma gratidão absurda quando citou a sintonia que lhe acometeu durante sua honrada leitura.

*Patrícia afirmou que todas as sentenças do post conseguiram tocar as duas nuances mais complexas de se equilbrar: coração e imaginação. Apenas a sua leitura garantiu tamanho esclarecimento. Lisonjeado ao cubo.

*Winny Trindade transcede as linhas e denomina ter ficado com os 5 sentidos em pleno funcionamento, Os detalhes são a fixação do autor e toda vez que alguém percebe, sei que vale a pena qualquer coisa.

*Olhar aposta na distinção deste que vos escreve e eu aposto na indulgência da sua leitura.

*Gabriela Freitas
sentiu-se confortável nas cadeiras do Teatro e afirmou que a intensidade das palavras a fez ficar até o final. E que volte sempre para novas exibições, seu lugar estará reservado.

*Suélen Breiser demonstra uma personalidade encantadora e questiona se o autor já publicou algum livro. A resposta: Não. Este que vos escreve apenas oferece letras ao vento e o espaço do BLOG consegue colocá-las numa velocidade compreensível. Grato por sua visita e ansioso por novos capítulos.

*Andressa Tavares
abriu sua bolsa e despejou alguns apetrechos cativantes em forma de palavras. O sorriso ficou.

*Letícia Silva
colocou o Teatro como uma vitamina necessária aos hábitos atuais. Um capítulo que estaria ausente nos livros de nossa geração. Incrível. Nada que o autor possa escrever fará juz.

*Thais Alves faz tudo parecer realmente encantador ao dizer que não seria possível sentir outra coisa além de encanto.

*Ariana
usa seus superpoderes para declarar sua identificação com o Teatro. Pessoas como ela podem salvar o mundo com invejável espontaneidade.

*Carolyne Mota colocou uma essência fabulosa na cobertura do texto. Deixou mais saboroso, abriu uma franquia, elevou os 12 meses há uma era. Esse envolvimento só se propagada em quem escreve e lê com o mesmo apetite. Autor honrado.

*Cáh faz de uma figura de linguagem um agradecimento único e de enorme bom gosto.

*Déborah Arruda aprova o cardápio do Teatro e a temperatura do mesmo. O autor vibra com as constatações de tão divina leitora.

*Flávia Diniz estava sumida mas nunca seria esquecida. É uma das leitoras clássicas do Teatro.

*Bruna Lima Rodrigues Silva julga perfeito o calor do calendário. O autor julga fundamental a sua visita e sua opinião.

*Bruna F. T. sugere uma utopia. Ela passeia com extrema propriedade sobre o tema do post e argumenta de uma maneira tão sincera que nenhuma letrinha fica esquecida para quem lê. Nada que o autor disser poderá eliminar a opinião de vocês.
Entendi plenamente o contexto que sugeriu aqui e soou extremamente cativante para este que vos escreve.

*Ana Carolina (Grafite)
é sempre concisa e arrebatadora em suas palavras. Que essa sensibilidade seja intermitente.

*Amanda Arrais
usou sua perspicácia e sabedoria para compensar sua ausência no Teatro. Suas citações nunca são previsíveis e todas as vezes que oferece sua opinião, o mundo pára.

*Camila
gostou da apresentação em sua primeira visita e prometeu voltar. Pois volte mesmo!

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

16 comentários

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Ju Fuzetto
AUTHOR
7 de abril de 2011 09:39 delete

O silêncio dói, quando alguém ao nosso lado sangra. O mundo entrega promessas na bandeja. Nós recebemos a contra gosto os desafios cruéis da vida e aniquilamos a esperança com nosso sopro de insatisfação. É o mundo gira, enquanto o silêncio predomina nos olhos de quem não pode mais gritar.

Um beijo Brunno.

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Nina Auras
AUTHOR
7 de abril de 2011 15:28 delete

Lá vem você novamente, deixando-me sem palavras. E te pergunto: como você faz isso? Porque quem se prejudica afinal é você mesmo, que não tem condições de receber um comentário decente. Mas também faço o pedido de que não deixe de me deixar sem palavras; é melhor sentir e não saber explicar, se o sentimento é, de fato, inexplicável.

O mundo realmente não liga. O que é bom para eles deve ser bom para nós (não é), e assim caminha a humanidade. Uma parte em especial eu achei muito boa - "O mundo quer que você entenda de bebidas e nunca de sentimentos. O mundo quer a sua carteira, não os seus valores. O mundo quer o seu pior pra vender como melhor."

Perfeito, como sempre. Acho que acabarei usando muito essa palavra, se continuares postando com essa freqüência (pois é, acostume-se, haha). Beijos.

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8 de abril de 2011 13:29 delete

Muito bom!


Bom final de semana

Beijão

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Thais Allana
AUTHOR
9 de abril de 2011 04:01 delete

Olá!
estava dando um passei por ai e parei aqui por acaso..(talvez)
enfim... queria comentar algo sobre o que eu li mas me perdi no caminho das palavras e fui rasgada e tomada pela autenticidade, veracidade e delicadeza (de algum modo) do pequeno texto.
Fiquei mexida... me causou perguntas, duvidas.
Então gostei daqui.
Posso seguir?
Não quero me perder no caminho de volta... beijinhos

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Sabrina.
AUTHOR
9 de abril de 2011 11:21 delete

Blog com um estilo bastate diferente dos outros e por isso me impressionou tanto!

O silêncio é a forma mais intrigante de dizer tudo o que sentimos, tudo o que nos faz sofrer sem nem ao menos pronunciarmos nenhuma palavra.
Ótimo blog.

Beijos.

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Bruna F. T.
AUTHOR
10 de abril de 2011 12:41 delete

"O mundo quer a sua carteira, não os seus valores."

Uma sociedade que se diz racional só mostra o quão irracional é, crendo ser melhor que outros.

O último parágrafo me encantou profundamente, e cada singela palavra tocou esse sincero coração que enche de alegria ao ir de encontro à seus textos.

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Alice
AUTHOR
10 de abril de 2011 13:44 delete

AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!
Eu quero abrir a janela e obrigar todos a abrir essas malditas boas bocas boas enferrujadas e já cheias de teias de aranhas!
Que os bons não se calem e que TODOS abram os ouvidos para escuta-los com clareza, da mesma forma que a floresta se cala à espera do sol que está para nascer.
Essas palavras foram o abraço que eu precisava de receber nessas duas ultimas semanas de negritude.

Uma questão: eu, particularmente, considero seus textos extremamente teatrais, e, sempre que leio, ensaio monólogos imaginando a possibilidade de serem futuramente apresentados. Você tem alguma ligação com as artes cênicas?

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Carolyne Mota
AUTHOR
10 de abril de 2011 14:55 delete

A realidade de suas palavras me surpreenderam, Bruno. Dessa vez estou sem comentários, escrevestes algo tão real e tão relevante que mal consigo encontrar palavras para descrever o quanto esse texto me fez refltir.
Estou admirada e absolutamente sem palavras.
Mas te garanto, és autêntico do ínicio ao fim e isso é maravilhoso.

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Luiza
AUTHOR
10 de abril de 2011 18:04 delete

Te vejo muito sábio Brunno, maduro, e gosto de pegar isso ao ler seus textos, ou em nossas conversas. Bom saber que você é uma pessoa de verdade, e não, mais um por aí. Beijo

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11 de abril de 2011 11:25 delete

Sempre sem palavras pra você e seus escritos.

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dear sarah
AUTHOR
11 de abril de 2011 11:56 delete

Isso mesmo, que os bons estejam atentos a sua própria voz..
e com os ouvidos sempre abertos!


bjs.

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Karine Melo
AUTHOR
11 de abril de 2011 19:36 delete

Palavras sempre profundas, com capacidade de nos tocar por inteiro.

Beijo, Bruninho.

Você arrasa demais!

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Inaí Souza
AUTHOR
12 de abril de 2011 20:50 delete

"O mundo quer a sua carteira, não os seus valores."

Quanta verdade e profundidade numa só declaração. É bem isso, estamos inseridos em um mundo que só se preocupa com o aparente, supérfluo, material...
Enfim, diante do seu ótimo texto, eu fico com vergonha de me pronunciar e dizer asneiras. Rsrs.
Obrigada pela visita ao meu blog e desculpe a demora para responder, é que ando trabalhando demais e vivendo (escrevendo) de menos.
Estou seguindo.
Bj.

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Franck
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13 de abril de 2011 16:07 delete

Estou num momento de silêncio e solidão...
Obg pelo carinho, sempre!

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PauloSilva
AUTHOR
20 de abril de 2011 14:02 delete

«Eles sabem que você procura pelos carinhos simétricos de palavras arquitetadas com um planejamento prévio. Gasta suas economias com um sentimento que minha fábrica não produz. » - Gostei muito Bruno.

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Bruna Lima
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28 de maio de 2011 14:43 delete

Estava passando, e já tinha lido até,mas acho que não tinha me apegado aos nomes, então hoje fez o sentido.
Você como sempre surpreende nos com a forma que lida com as palavras,como a graça de uma dança perfeita, as palavras se mostram o teu perfeito par.
Parabéns.

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.