12 MESES

segunda-feira, março 21, 2011 27 Comments A+ a-

Nas pupilas castanhas ela guarda a euforia de janeiro
Todos os fios de cabelo beijados pelo sol
Sua volúpia é capaz de criar um dia 30 de fevereiro
Seu aroma deixa qualquer transpiração aerosol

Ela vive em cada gota das águas de março
Sua voz está na relíquia dos discos de vinil
E quando desafia meus olhares eu nem disfarço
As vezes penso que é 1º de abril

Sua risada dá cores ao outono de maio
Todos os encantos do mundo cabem em seu punho
Nenhuma arte final supera o seu ensaio
Mais fogos de artifício que todas as festas de junho

O mapa do paraíso tem o formato do seu rosto
Seus braços afastam o inverno de julho
Seu açúcar não engorda e eu adoço agosto
Sou um reservatório que ela enche de orgulho

Outra perfeição igual, com tantos detalhes, eu não lembro
Nem se for o melhor investigador eu descubro
Ela é a primavera que começa em setembro
A criança deslumbrada de 12 de outubro

Em suas rosas brancas eu respiro o perfume de novembro
Na passarela da vida, ela desfila para meu deleite diário
Ela é muito mais quente que o verão de dezembro
É o calor que aquece todo o calendário



Leitores de ‘Uma Pequena Conclusão’


Geisla Moraes entorna um cálice de elogios bem argumentados personificando o pobre escritor aqui como a própria alma. Resta apenas honrar tais palavras dedicadas com atualizações menos esporádicas e quem sabe, pretensiosamente indispensáveis.

Andrea disse que o texto foi perfeito. Quem dera encontrar esse equilíbro numa atualização, acredito que o segredo seja buscar uma identificação que, dessa vez, parece ter funcionado.

Anna Soares
prometeu não ficar mais em abstinência quanto ao blog e ressaltou que o piano de quem não sabe tocar pesa muito. E é verdade.

Franck ofereceu o seu reino para as idealizações do post e que bom seria se realmente fosse possível um pouco de toda aquela ‘utopia’.

Winny Trindade declarou seu amor pelas metáforas e se ofereceu para tocar o piano da vida de todos nós. Acredito que as coisas funcionam melhor dessa maneira.
Gosto de metáforas, e você as usou de maneira magnífica.

Talysinestesia
também estava com saudades do Teatro e concordou que são poucas as pessoas transpiram sonhos vivendo um pesadelo.

Bruna F.T.
acredita que o humilde blogueiro consegue descrever uma parte dos seus pensamentos. Isso sim é uma honra.

Daninha faz um ótimo parenteses em relação aos verdadeiros vencedores. Ela acredita que esses seres são os que conseguem ostentar um sonho em meio a muitas sificuldades.

Ariana, além de elogiar a maneira que o escritor discorreu sobre o tema, acredita que só se alivia o peso do piano aprendendo a tocar todos os dias. Isso procede.
Olhar (Bia) disse que escrevi tudo. Bom, sempre se pode acrescentar ou eliminar algo, mas tentei ser o mais ‘pleno’ possível.

Renata Z.M. fez uma observação interessante. Ela acredita que só nos dispomos a aprender a tocar o piano depois de passarmos um tempo carregando e exigindo resistência de nossas pernas.

Ana Flávia Souza
sentou-se pela primeira vez no auditório do Teatro e garantiu que será Vip nos próximos espetáculos. Vou cobrar!

Luiza (By Heart)
faz reverências graciosas ao autor, do seu jeito único de ser, e ainda afirma que só carrega um piano que não se esforça e se nutre de inveja. Verdade isso, não?

dear sarah expressa suas saudades quanto ao Teatro e ressalta a importância de se ter cautela quanto às mudanças do mundo e a maneira interessante que o mesmo se apresenta. Estava sumida hein?

UMA PEQUENA CONCLUSÃO

quarta-feira, março 16, 2011 16 Comments A+ a-

Ao catalogar olhares e expressões pelo mundo, cheguei até algumas de suas intrínsecas reações. Infelizmente, o meu convencimento implora por ações criativas e derradeiramente incomuns, logo, qualquer semelhança com clichês cotidianos fazem a minha pessoa bater as asas que não tem.

Guardo uma admiração maiúscula por todos que abominam fórmulas prontas e finais felizes exageradamente manipulados. Aos que lutam contra o colesterol das lágrimas salgadas tão estereotipadas por roteiros derrotistas.

Por que não ignoramos a altivez e a banalidade que cresce em pencas existenciais cultivadas com adubo humano de qualidade obtusa?

Um reino a todos aqueles que inventam moda sem precisar de linha e agulha.
Aos que abraçam um continente para salvar uma ilha.
Aos que mentem deliberadamente para assassinar uma verdade nociva.
Aos que conspiram contra a ignorância cômoda.
Aos que transpiram sonhos vivendo um pesadelo.
Aos que se precipitam. Esperar é um genocídio contra si mesmo.
Aos que entram em órbita mesmo com medo de altura.
Aos que surpreendem com artifícios comuns.
Aos que falam todas as línguas usando apenas o advento da visão.
Aos que arrancam suspiros só com a criatividade e observação.
Aos que caminham em corações estranhos para experimentar novos batimentos.
Aos que atropelam conceitos e guardam a multa como troféu.
Aos que tem mais do que o ego como músculo.

O mundo dá um piano pra todos. Os que não sabem tocar, tem que carregar.

ÁGUA EM VINHO

sexta-feira, março 11, 2011 17 Comments A+ a-

A minha função é transformar as suas reticências em exclamacões.

É transformar as suas economias em cifrões.
É transformar as suas palavras em canções.
As suas misturas em poções.
Os seus desperdícios em doações.
As suas personalidades em civilizações.
As suas manias em sanções.
As suas viagens em excursões.
Os seus conquistadores em charlatões.
Os seus heróis em vilões.

A minha função é transformar os seus filmes em superproduções.



(A rima é pobre mas a intenção é nobre.
E meu seguro cobre)