O DISFARCE DO MUNDO

sexta-feira, fevereiro 04, 2011 23 Comments A+ a-

Já que estamos nesse parque de diversões de graça, por que não tentar se divertir?
Segure esses balões até que o ar se dissipe. Ria de si mesmo, não é o tipo de esforço inútil.
Todos os disfarces já foram usados e a repetição precisa ser criativa pra ganhar status de inédita.
Eu acredito, mas como poderei salvar quem tem prazer por lembranças?
Como posso ter a pretensão de abrir as portas de um paraíso emocional se as pessoas não tiram férias da angústia?

O passaporte para o cansaço da felicidade está nos bolsos de cada um. Mas eu não consigo ver uma iniciativa dos outros.
As pessoas tem uma filosofia derrotista de ver inspiração apenas no marasmo. A decepção pode ser uma minisérie mas nunca uma novela. O desencanto pode ser um conto mas nunca um romance.
Existe tempo certo para oferecer analgésico ao coração. Ele não vai bater mais rápido se você alimentar quem não cabe mais na sua geladeira.
Não que você tenha que sair no braço com a sua verdade todos os dias. Mas olhar nos olhos do que você verdadeiramente quer é muito bom de vez em quando.

O amor antes de qualquer coisa é um substantivo. Não faça virar verbo por qualquer idiota com cartão de crédito. Quem ama aos quatro ventos mente gratuitamente para o universo.

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

23 comentários

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sambadegringo
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4 de fevereiro de 2011 09:27 delete

Perfeito para o meu momento. Antes eu me inspirava com os balões, hoje me inspiro com as dores. Talvez tenha sido muito Caio Fernando na minha vida, ou talvez a gente realmente mude o foco às vezes. Pro lado errado. Preciso ajustar esse foco de novo.
"Quem ama aos quatro ventos mente (...)"
Me fez pensar.
Beijos

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Ju Fuzetto
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4 de fevereiro de 2011 10:21 delete

Brunno.

leio, releio, imagino cada cena, cada detalhe...Esse cenário imaginário de verdades é um misto de lembranças. Amores de verdade são plantados nos balões de oxigênio. Pois geralmente não suportam a ganância de quem não vive de verdade!

Eu adorooooro quando vc escreve. Beijo amigo

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4 de fevereiro de 2011 12:29 delete

nossa que profundo: "Quem ama aos 4 ventos, mente... "

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Bruna F. T.
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4 de fevereiro de 2011 14:03 delete

Não devemos desperdiçar o amor com quem não o compreende. Devemos recuar nossos sentimentos, mesmo que demore para que eles novamente entrem em ação. Ao menos não terão lesão alguma, de um guerra em que apenas eles eram os soldados.

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Bruna Lima
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4 de fevereiro de 2011 20:59 delete

Adorei*
vou botar um trecho no blog, como sempre seus textos ótimos.

sorrisos!

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Dani Brito
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4 de fevereiro de 2011 23:04 delete

Mas que injeção de ânimo e lição de vida!
Texto maravilhoso e sim...as pessoas se apegam nas desgraças e adoram sofrer pra se fazerem de vitimas e serem vistas como coitadas.
Adorei a parte do "passaporta da felicidade está no bolso de cada um"...
Você usa muito bem as metáforas, por isso é muito lindo tudo o que escreves!

Um beijo, saudades daqui...

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Cís
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5 de fevereiro de 2011 15:12 delete

Mais etéreo e sugestivo impossível...

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Thay
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5 de fevereiro de 2011 17:33 delete

Nossa muito lindo.
Porque será que a dor muitas vezes parece inspirar mais?
porque não "remoemos momentos felizes"?
e essa moda de amara todos, no fundo acabam não amando ngm.
;**

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5 de fevereiro de 2011 21:36 delete

Todas as palavras fizeram cócegas.Arrombos de cócegas!
mais que possuir prazer nelas,tenho certa necessidade de lembranças...que,apesar de não fazer sempre bem e deixar tudo tão nostálgico pela descoberta de um felicidade antes não sabida,possuem certo sabor encantador...Inspirativo,até.Decorativo.Mas,viver delas,reconheço,é impossível.
a iniciativa sai do presente,da nossa pretensão de felicidade como o disse tão bem.faço de cada uma de suas palavras votos de felicidade por você!Ansiando novos posts seus.
Abraços!

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Gu Paiva
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6 de fevereiro de 2011 11:13 delete

Menino, seu teatro dos sonhos é real, palpável. Li seu texto e reli. E mais uma vez em voz alta. Eu me diverti no teu texto, de forma que quero me divertir também nesse parque de diversões que é a vida. Existem muitos brinquedos perigosos, confesso. Mas vou me arriscar.

Parabéns pelo teu espaço.

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6 de fevereiro de 2011 23:26 delete

"Quem ama aos 4 ventos, mente... " E como mente! Vai ver a gente só precise de fato, se arriscar. Sem exageros. E entender.

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helena.
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8 de fevereiro de 2011 03:10 delete

"Eu acredito, mas como poderei salvar quem tem prazer por lembranças?
Como posso ter a pretensão de abrir as portas de um paraíso emocional se as pessoas não tiram férias da angústia?"

Adoro seus textos, sabia? Sabia, porque eu já disse.

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10 de fevereiro de 2011 16:46 delete

interessante modo de pensar, nos faz refletir sobre algumas coisas, por exemplo "O passaporte para o cansaço da felicidade está nos bolsos de cada um. Mas eu não consigo ver uma iniciativa dos outros", eu também não!
gostaria que conhecesse meu blog de arte obscura http://artegrotesca.blogspot.com
bjos
vou te seguir.

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Amanda Arrais
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12 de fevereiro de 2011 17:52 delete

Como sempre um texto lindo, né?

"A decepção pode ser uma minisérie mas nunca uma novela. O desencanto pode ser um conto mas nunca um romance."

E é verdade isso de disfarce. As pessoas usam máscaras o tempo todo e se esquecem que a verdade às vezes cai bem.
Consigo mentalizar um livro de citações tuas, sabia?

=*

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Amanda Arrais
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12 de fevereiro de 2011 17:52 delete

Como sempre um texto lindo, né?

"A decepção pode ser uma minisérie mas nunca uma novela. O desencanto pode ser um conto mas nunca um romance."

E é verdade isso de disfarce. As pessoas usam máscaras o tempo todo e se esquecem que a verdade às vezes cai bem.
Consigo mentalizar um livro de citações tuas, sabia?

=*

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mô.
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13 de fevereiro de 2011 12:53 delete

Um amor inabalavél que sentia. Hoje o que me dá saudade é do alguém que ele era, como amigo. E quanto ao dedicar, o meu erro foi me dedicar demais e esquecer de mim mesma sabe? Dependia muito dele, realmente. E tive que aprender sozinha o que é viver sem ter ele por perto. Tudo escrito, foi um sentimento que eu guardava pra mim mesma, e que eu precisava descreve-lo para colocar um ponto final. Sabe, eu me sinto como se tudo que acontecesse na minha vida, eu precisasse escreve-lá, para me libertar. Hoje eu me sinto MELHOR, muito MELHOR sem ele, e é por isso que disse que não queria a sua volta. Sinto a sua falta, mas é raramente. E bom, é isso. Todo sofrimento, é válido.

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mô.
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13 de fevereiro de 2011 13:00 delete

E quanto ao seu texto...
Eu sempre achei a dor como um ciclo vicioso, e é tão mais fácil sentir dor, do que simplesmente sorrir. O mal é conspirante e a batalha, continua. "O passaporte para o cansaço da felicidade está nos bolsos de cada um. Mas eu não consigo ver uma iniciativa dos outros." Parece que nos dias de hoje, todos estão tão fracos, que falta força pra reagir.
beijos bruno!

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14 de fevereiro de 2011 22:40 delete

Porque amar - amar mesmo - tornou-se o verbo mais raro.

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Renata. Z. M.
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17 de fevereiro de 2011 22:30 delete

"O passaporte para o cansaço da felicidade está nos bolsos de cada um. Mas eu não consigo ver uma iniciativa dos outros."
Realmente, ninguém mais consegue dar um passo em direção à própria felicidade. E isso inclui a mim. Há tempos não consigo dar esse passo por mim mesma e me remeto às lembranças pra poder ter um pouco de paz no coração.
Talvez seja o comodismo que essas lembranças causam pra não querermos ir em frente e deixar o parque de diversões grátis.

Viver mais, aceitar mais!

Adorei, um beijo.

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Camila Paier
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20 de fevereiro de 2011 16:57 delete

Uau, seu Brunno. Eu disse que aparecia. E, fiquei meio sem palavras. Talvez, pensando se amo errado. Ou quem, sabe, nunca amei. Não ainda com certo egoísmo, com querer tanto todo o amor pra mim, que, não esmiucei por aí, para o mundo. Complicado. Minha língua me trai, sempre. E segundo minha mãe, é um dos fatores que mais me prejudica. Talvez. Quem sabe amor mesmo, é algo que é pra ser vivido, sugado, sentido. E nada de sair falando demais por aí. Pode ser, né? Com a felicidade no bolso e um sorriso simplório no rosto, suficiente.
Um beijo!

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Cáh
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21 de fevereiro de 2011 14:38 delete

Bruno... como não apaixonar pelo que vc escreve? E não é demagogia!Dificilmente encaro um texto de frente e leio com a mente limpa, sem esperar nada dele, já leio procurando um ponto ou qualquer coisa. O negócio é que entrei aqui por acaso, li um paragrafo por curiosidade, e fiquei.
Depois que li isto "Eu acredito, mas como poderei salvar quem tem prazer por lembranças?
Como posso ter a pretensão de abrir as portas de um paraíso emocional se as pessoas não tiram férias da angústia?" queria falar 'ei Bruno, vem, senta aqui vamos conversar?' rs. Só pra vc me explicar todas estas coisas que escreveu com tanta facilidade de parece sentir da mesma maneira.
Parabens Bruno, li uns 3 textos teus, gostei demais.

Um beijo!

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Pasárgada
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22 de fevereiro de 2011 22:57 delete

Difícil é não ficar encantada com suas palavras, hein, Brunno.

O amor real, sólido, é esse olhar verdadeiro, essa alimentação sem gula, mas com necessidade. E o analgésico do tempo nunca é suficiente perto da necessidade. O amor é tão voraz e insatisfeito quando a saudade.

Um beijo.

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José Sousa
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5 de março de 2011 16:28 delete

Muito bem, o que li por aqui, como sempre, gostei! A nossa mente sempre é fértil em imaginar a forma como descrever as nossas coisas para que os outro possam, assim, lerem.

http://www.congulolundo.blogspot.com/
http://www.minhalmaempoemas.blogspot.com/
http://www.queriaserselvagem.blogspot.com/

Um abração e bom carnaval.

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.