A CELA DA LIBERDADE

segunda-feira, fevereiro 28, 2011 14 Comments A+ a-

Ando devagar não porque já tive pressa, mas por ter prazer em contar os passos que dou.
Apenas quem dorme a noite toda sabe agradecer pelo dia.
O sono é criativo, logo, estar acordado é uma perda de tempo intelectual.

Pontos finais não me inspiram, reticências me convencem e pontos de interrogação ganham o meu dia.
Tudo é uma conspiração pra quem é alvo. Tudo é uma benção pra quem é santo. Tudo é uma armadilha pra quem é falso. Tudo é uma festa pra quem é livre.
E qual é a busca mais sensata e desesperada que existe em nossos dias repetidos?
A liberdade.
Em todos os gêneros, números e graus possíveis.
A rotina nos rouba esse tipo de ar. Nossos pulmões precisam de todos para conhecer a longevidade plena.

Respiramos o ar do trabalho, da família, dos amigos.
Os privilegiados respiram ainda o ar do amor, da esperança e do altruísmo.
Mas o ar da liberdade é rarefeito. Cristalino. De uma pureza indescritível.
É uma obsessão dos fortes. Os fracos não sobrevivem a menor brisa desse elemento.
Não basta encher uma mochila de sentimentos aleatórios e experiências curtas para entrar nesse trem da consciência. Se nada em nossa existência é o bastante, nesse caso, essa afirmação é ainda mais potencializada.

O que a liberdade plena exige? Quem tem um currículo emocional tão vasto e bem escrito para essa vaga?
Até onde a dependência de outros estímulos humanos pode gerenciar as decisões das pessoas?
Como um enfermeiro ansioso, não consigo encontrar a veia da vida para aplicar as doses necessárias de sensatez. O hospital está lotado e não entendo nenhuma palavra do que ela quer dizer.
Livres entenderiam? Sim.

Aos livres, o sorriso não é uma resposta a outro sorriso. É uma naturalidade.
Aos livres, não existe a necessidade de provas, de documentos. É uma naturalidade.
Aos livres, a glória não é uma consequência. É uma naturalidade.

A liberdade é natural.

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

14 comentários

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28 de fevereiro de 2011 13:09 delete

Te acho tão interessante.
Tens uma visão de mundo linda.
Te admiro!

Beijos!

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Cáh
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28 de fevereiro de 2011 14:04 delete

Bruno, Obrigada pelo comentário.
Se venderes tempo, me avisa então, compro em dobro e pago o qto for!

quanto ao texto, até o exato momento quase me perdi, ao ler, me senti de volta com toda a minha liberdade de espírito! Ao lado de algumas pessoas, me parece que o prazer de se viver, o simples prazer natural é tudo uma grande farsa, não passa de hipocresia, mas, no fundo é só liberdade!

Gosto muito do que vc escreve, demorou pra aparecer, mas chegou, isso que importa!

Beijo

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Ju Fuzetto
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1 de março de 2011 10:23 delete

Porque quem tem liberdade nos olhos não precisa comprar sorrisos...

Um beijo meu amigo das lindas palavras!

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1 de março de 2011 20:37 delete

Me senti em cada palavra sua. É como se dentro de mim existisse quase tudo do que foi lido aqui...
É como se minha alma estivesse sendo um pouco descrita.

Abraço meu.

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2 de março de 2011 21:22 delete

passar por aqui sempre me faz muito bem. realmente, a liberdade é natural apesar de não raramente não desfrutarmos dela plenamente.

sinceramente espero que você nunca pare de expor suas ideias através de seus textos pois isso tu sabes fazer muito bem.

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Bruna F. T.
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2 de março de 2011 22:16 delete

'Xará', fico muito feliz por saber que você olha os selos que lhe indico, e que gosta deles.
O Teatro é meu porto seguro naqueles momentos de stress. E isso graças à dádiva da sua inspiração mágica. Obrigada por nos presentear com sua bela escrita e desenvoltura com as palavras.
O Freescura reverencia o Teatro.

Bjs :*

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Bia Oliveira
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3 de março de 2011 02:03 delete

Bruno, eu nunca consigo ler seu texto inteiro pra depois começar o comentário. Haha
Suas palavras já fazem surgir mil idéias no meu pensamento.
Acho tão lindo essa coisa de homem que escreve, e o melhor, você escreve de um jeito que faz sentir.
Liberdade é mais do que qualquer conceito pré-apresentado. Em sua plenitude, talvez nem seja o melhor dos presentes. As vezes acho que ser livre exige muita solidão..

Beijo, personagem! :*

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3 de março de 2011 06:26 delete

A muito tempo sigo e leio teu blog. Posso dizer que a cada postagem percebo uma mudança, um diferencial.

Voce tem sorriso nas letras.
=D

Beijo

Ps:. Resolvi te acompanhar também pelo twitter.

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Larissa Ponce
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3 de março de 2011 18:04 delete

É natural muita gente gostar do Brunno que escreve, afinal tem um talento e sensibilidade indiscutíveis.
É o cativo da cela da liberdade, o roterista do otimismo, o portador do calendário sem feriados,o disparador de um encanto obrigatório.
Entretanto gostaria de deixar claro que tb gosto do Brunno sem a purpurina e luzes das artes que domina.Tenho verdadeira admiração por aquele que ás vezes é acometido pelo cansaço e desânimo, do que se sente perdido e daquele que muitas vezes não consegue dizer o que gostaria. Eu gosto da beleza discreta que esse Brunno real tem.
Depois de algum tempo, cheguei a conclusão que o Brunno escritor tenta se colocar como um personagem, mas ele é , de forma inevitável, parte de tudo que escreve, seja como ator principal, ou telespectador daquilo que o encanta, interroga, ou desperta desprezo no seu íntimo.

O Brunno, com todas as facetas que conheço, faz cócegas diárias em meu coração. Seria possível que seus textos não fizessem?

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5 de março de 2011 02:17 delete

Para mim, liberdade é uma das muitas belas utopias. VOcê não sabe direito o que é, mas sabe que tem que busca-la... Gostei do teu texto, bom jeito de se argumentar, boa forma de entrelaçar idéias.. Muito bom mesmo :)

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Luiza
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7 de março de 2011 10:32 delete

não é fácil ser livre, somos dependentes até do ar que respiramos. talvez essa liberdade natural seja algo psicológico, pensar ser livre e sentir-se livre deve fazer toda a diferença, mesmo quando não somos. um beijo Brunno, mais um texto ótimo seu.

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Thay
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7 de março de 2011 17:31 delete

Ah como sempre muito lindo
"Pontos finais não me inspiram, reticências me convencem e pontos de interrogação ganham o meu dia."
Realmente essa frase diz muito.
adoro td aqui
;**

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Thais Alves
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8 de março de 2011 16:43 delete

A busca pela liberdade é como a busca do ouro, alguns morrem tentando, outros a alcançam mais a deixam passar pelas frejas de suas mãos e poucos, muito poucos conseguem gritar de peito aberto " A liberdade me pertence". Lindo texto, amei .

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Renata. Z. M.
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11 de março de 2011 12:04 delete

A liberdade é naturalmente inspiradora.
(Tenho um rascunho sobre isso também.)
Todo mundo é livre à sua maneira, basta parar de criar conceitos falsos sobre ser livre e olhar mais de perto o que o mundo guarda em sua volta.
Aí sim, pode-se dizer que é livre de verdade.
Eu gostei!
Um beijo.

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