UM JOGO VICIOSO

segunda-feira, janeiro 24, 2011 13 Comments A+ a-

Informação generalizada sobre meus punhos. Se eu socar a face direita do planeta, 50% da humanidade vai aprender a usar o bom dia com responsabilidade. Metade dos humanos vai aprender a contar os passos, sem correr. Sem fantasiar o impossível, sem desperdiçar lágrimas em comédias românticas de sábados a noite.

Minha tecnologia emocional não consegue enxergar o pânico dessas vidas. A exagerada falta de segurança sobre as escolhas, o medo de acordar com o outro lado da cama vazio e um bilhete cheio erros gramaticais.
Não entendo a eterna obsessão das pessoas em nomear o sentimento que vivem. Um rótulo realmente tem todo esse poder de nortear atitudes?

As dúvidas nunca me cobriram, mesmo no mais severo dos invernos. A melhor parte de mim soube dar as costas aos diminutivos. O indiferente não tem poderes sobre a minha existência. Eu não preciso rimar para parecer uma poesia, não preciso inundar civilizações para soar como tempestade.

As vezes é bom aprender a sonhar na cama dos outros.
Onde minha devoção foi passar as férias não existia pacote promocional.
Não vejo problema com a individualidade. Acho bonito o meu jeito próprio de amar a maneira que a vida ri de mim. O jeito que ela se apresenta como uma anfitriã insensata de uma festa qualquer.
Acho delicioso os sabores que nunca provei. Vivo da recompensa pelos lares que salvei e agora eu construo bombas para mandá-los pelos ares.

A minha bondade não me dá créditos eternos. Não me deixa mais amigo do gerente da sua conta. Mas eu deposito todos os meus dividendos dedutíveis por lá mesmo.
Nada me surpreende mais do que alguns segundos. Eu sei que posso fazer do seu momento inesquecível e ganhar algumas das chaves da sua garagem. Pra te acordar de madrugada procurando um rosto que não reconheço.

O mundo que me foi apresentado não serve para arquitetar o mais honesto dos meus sorrisos. Qualquer incapaz enterraria a própria existência nessa cova de hipocrisia e falta de amor.
Mas eu nunca abandonaria a atualidade por um futuro seguro. Ainda que insistam em signos e previsões sobre o mês que nasci, os estereótipos nada funcionais não sabem o número das roupas que visto. Não podem cantar no tom que alcanço nem chover a quantidade de milímetros necessária para me fazer abandonar o meu lar e procurar por ajuda profissional.