ENCANTO OBRIGATÓRIO

terça-feira, dezembro 28, 2010 23 Comments A+ a-

Essa vida de comerciante não é fácil. Ninguém mais gasta um mísero centavo em egoísmo construtivo. Parece mentira mal contada, piada sem graça, trote de faculdade. Mas é a mais cristalina e absurda verdade.

Não que eu tenha escolhido o egocentrismo por amor ao espelho. O narcisismo é uma modalidade paralela ao amor-próprio. Por mais promíscuo e fútil que o planeta se apresente atualmente, a devoção desmedida e desesperada continua visitando as primeiras páginas dos veículos de comunicação emocional.

Desconheço em que momento específico toda a minha falsa sapiência decidiu estudar mais. Era preciso ser um monge e decorar letras miúdas de significados duvidosos.
Pode até parecer que eu tenha essa fixação em descobrir todas as respostas possíveis mas alguma parte de meus instintos neurológicos querem planejar um assassinato a todos os pontos de interrogação.
Viver de certezas parece ser algo revolucionário. Assim como quem desenha corações no ar e oferece para um desconhecido.
Entre adoração e amor existem menos ingredientes do que se imagina. E quantos não desejam morrer com essa indigestão?
Fica barato. Aliás, gasta-se mais com terapia emocional do que com desenvolvimento pessoal.

Se eu usasse a genialidade que aparento possuir certamente ficaria rico roubando o mais honesto dos sorrisos. Faria da pretensão um artifício irresistível. Seria um palestrante do exagero inesperado, de serenatas desafinadas mas deliciosamente bem-humoradas.

Não vamos viver esperando uma lápide dourada num cemitério requintado. A sepultura do desânimo é continuar respirando sem direção pra olhar.
O fantástico vai continuar sendo menor que o extraordinário.
O segredo está nas cores que você escolheu pintar os melhores dias da sua vida.

Faço do ceticismo uma fórmula para extrair sentimentos puramente honestos. Não me deslumbro com o corriqueiro mas procuro encontrar todos os mínimos encantos que se escondem na rotina.

Não abracei o entusiasmo por oportunismo. Apenas descobri que a euforia e os finais felizes combinam perfeitamente com o tamanho dos meus braços.

ROTEIRISTA DO OTIMISMO

sexta-feira, dezembro 03, 2010 35 Comments A+ a-

Não vamos ser substancialmente envolvidos pelas doses exageradas de açúcar. Por mais que eu tenha passado os últimos meses renovando o passaporte de um exército de formigas, quero exercer o meu direito de não creditar todo esse sentimento pré-férias ao famigerado ‘mel’.

Talvez pareça assustadoramente enérgico basear a melhor parte da vida na total ausência de dias comuns. Pode soar uma utopia para o planeta. Afinal, me parece tão nobre e conveniente ignorar por completo o tédio visceral que sempre nos é imputado, que talvez eu deva procurar coletes a prova de pessimistas!

Tantos aqui prolongam a sua dor cardiovascular por todo o sempre e profetizam a mesma patologia para todos os que ousam demonstrar a menor euforia. Não basta segurar a bandeira do amor, você precisa de vento para tremulá-la. E não espere que aconteça uma benção eólica para tanto. A maioria das vezes esse ar tem que vir dos seus próprios pulmões.

Calcule sua maldade. Se você sobreviver aos seus crimes terá que viver com ela. A maior cela da vida é a indiferença.

Eu estudo tanto pra fazer a sua existência não conhecer o tédio. O esforço pra ser inesquecível é indispensável em meu currículo. Eu não apenas batalho por dias ensolarados, por café na cama e por domingos intermináveis. Eu preciso ser esse arquiteto de sorrisos, esse engenheiro de gargalhadas involuntárias, esse químico de fórmulas otimistas que anseia por uma patente.


Coloque o amor na sua carteira de trabalho e TALVEZ o dinheiro nunca mais lhe seja problema.
Talvez. Porque o verdadeiro entusiasta precisa viver o exagero de muitas horas extras.