ENVOLVIMENTOS EMOCIONAIS

domingo, novembro 07, 2010 33 Comments A+ a-

Existe algum jeito de olhar para os seus edifícios sem agradecer ao mundo?
Não fui eu que acordei na melhor parte do sono pra dizer que aprendi a reproduzir os sons melodiosos da sua voz. Deve ser um outro ser humano, que nasceu no mês de maio e acreditou que poderia ser um rock star com alguma cultura limitada sobre música contemporânea.
Eu não veria nenhuma beleza no suicídio, mas se o sangue dos meus braços fosse necessário para completar o vermelho do seu disco de Newton, eu mudaria seriamente de idéia.
A liberdade que me inventaram não tinha passado pela rua da sua casa.
Não sabia que eram duas voltas no seu portão e um grito na sua janela.
E agora, o que fazer com o universo de definições?
Como olhar os sentimentos que me fizeram um ator mau-remunerado que repudia aulas de teatro e prefere interpretar páginas que nunca foram escritas?
Meus dedos querem o absoluto de um roteiro emocional. O limite do absurdo, o doce do exagero, o mistério do incomum.
Não existem tempos verbais que representem a unidade da sua conjugação.
Eu passei em todos os sinais vermelhos e só você anotou a minha placa.
Como queria que fosse culpa do meu egoísmo. Quero estar nos créditos, quero as luzes de Vegas no jogo que inventamos.
Andei por túmulos de tentativas que fiz e rejeitaram minhas rosas. Perdi datas de aniversário, comprei presentes que não agradavam, dei roupas que não serviam. E ainda procuram a perfeição em quem já saltou do mesmo prédio tantas vezes e nunca conseguiu atingir o chão.
Sempre confundem a minha desatenção com indiferença. A minha reputação foi escrita por alguém que não sabia ler. Uma prova de que a inteligência não consegue ser abstrata. A sabedoria não mergulha em águas rasas e eu aprendi a nadar pra chegar na tecla desafinada do piano que não sabemos tocar.

Eu só soube que suas cartas eram boas o suficiente pelo tamanho da fogueira.

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

33 comentários

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Ju Fuzetto
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7 de novembro de 2010 23:08 delete

É nas incertezas do incomum que estão guardadas as definições que nosso peito às vezes repudia. É nos maiores edificios que estão pousados os melhores ventos, sobre as luzes e o calafrio do parapeito. É lá que se pode derreter as emoções. Eu acho...rs

adoro seus textos. Tens uma magia que toca.

boa semana!!

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dear sarah
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8 de novembro de 2010 10:54 delete

Se envolver. Nossa, tão perigoso é isso. É complicado cair de cabeça e não se envolver, e o medo de se machucar?
Mas devemos aproveitar cada sentimento, cada toque, olhar, tudo...
sem medo de ser feliz!

um beijo, assim como disse a minha querida Ju, tens uma magia que toca.
um beijo!

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Andressa Keka
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8 de novembro de 2010 13:10 delete

acho incrível o modo como tu ver as coisas.
realmente ponto de vista depende muito de cada um.

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Nini C .
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8 de novembro de 2010 17:04 delete

Adoro o jeito que voc escreve ;)

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Thammy
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8 de novembro de 2010 17:54 delete

Encalços da euforia interior e as velhas incertezas já agora, inteiramente novas. Música que muda constantemente a melodia; se envolver é assim. Uma mistura do vivo e desconhecido com o sabor de agunia límpida de quem abocanha sorrindo o que se faz correr no ar. Te entendo quando confundem sua mera desantenção essa tal de indiferença. E mesmo assim, não entedo como reações tão antagônicas se intercalam assim. Estariam interligadas talvez em você, em mim?
Um texto que me sorrio abertamente hoje! :)
Um beijo, querido.

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Luiza
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8 de novembro de 2010 18:06 delete

sempre Brunno, sempre belo. inteligente, profundo, tocante e impressionante. bj

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Nina Vieira
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8 de novembro de 2010 18:06 delete

A mágoa que sobra depois de uma paixão tórrida nada mais é do que memória recente.

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AninhaGR
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8 de novembro de 2010 22:14 delete

Não só fizeram cócegas, como massagearam meu coração. Lindas palavras; tens o dom da escrita!
Além disso, pude sentir sua dor, seu temor e suas dúvidas nesse texto. Uma seguidora a mais do teu blog. Beijo.

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Giovana F .
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9 de novembro de 2010 11:56 delete

você... sempre me fazendo achar que de alguma maneira estamos todos interligados, próximos e ao mesmo tempo.. há léguas um do outro. Não repare, ando com um soar meio confuso.
E repito : queria que me enxergassem como você enxerga , como você escreve.

merecedor da minha admiração, com toda certeza.

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Nina Auras
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9 de novembro de 2010 13:45 delete

A liberdade pode até preceder os envolvimentos emocionais, mas são eles que nos mostram o que realmente liberta e ao que estamos presos. Lindo, Brunno, como sempre (:

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R;*
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9 de novembro de 2010 22:42 delete

Seres humanos são tão difíceis e por esse motivo acho que são tão atrativos, os relacionamentos nos mostram no mundo e melhor ainda nos mostram o nosso verdadeiro eu; aí entra a liberdade, nos dando escolha para continuar nos envolvendo e querer ser livre novamente..
Beeijo ;*

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Bruna F. T.
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10 de novembro de 2010 14:45 delete

"Eu não veria nenhuma beleza no suicídio, mas se o sangue dos meus braços fosse necessário para completar o vermelho do seu disco de Newton, eu mudaria seriamente de idéia." Este trecho em particular me emocionou, mostra o verdadeiro amor e o sacrifício em prol dele.

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Kezia
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10 de novembro de 2010 15:06 delete

''Sempre confundem a minha desatenção com indiferença. A minha reputação foi escrita por alguém que não sabia ler. Uma prova de que a inteligência não consegue ser abstrata.''

Me identifiquei.
Excelentes seus textos, quero ler mais deles.
;*
Vou seguir também.

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Camila Paier
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10 de novembro de 2010 16:19 delete

"Sempre confundem a minha desatenção com indiferença. A minha reputação foi escrita por alguém que não sabia ler."
Brunno, tão diferente, e ao mesmo tempo, tão homem. Acho que todos vocês machos são fadados a serem mal compreendidos. Enfim, sempre fico meio sem reação ao ler seus posts. Te vejo tão heróico, e ao mesmo tempo, tão numa vontade de ser normal. Meio Peter Parker, se renegando aos próprios poderes, sabe? Ou Batman, que tenta por tudo nesse mundo se provar apenas um milionário que vive, e não liga pro resto do mundo. Quando na verdade, quer salvar toda a cidade. No seu caso, tu queres é salvar todo um jardim de flores e sonhos femininos de que gentleman existe, sim.
Um beijo, e obrigada por tudo, pela força de sempre!

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Lu
AUTHOR
11 de novembro de 2010 00:26 delete

Olá Bruno.
Demorei mas aqui estou eu rsrs

Bruno, já lhe disse guri, tudo escreve bem, muito bem. Aliás, creio eu que não sou a única a dizer isso.

Pois bem, eu curti tanto esse texto. Imaginei alguém em cima de um prédio, uma moça aliás, seus cabelos estariam bagunçados pelo vento forte e céu estaria azul e com um sol parecendo uma lua. De tão perdida que é, nem o céu ajudou, nem para estár nublado e frio.
Seu texto da aquela sensação, de quando vamos bem uma prova que é com consulta. Ou quando sabemos dar uma palavra amiga só porque já passamos por tal situação.

Muito bom seu texto e eu poderia ficar horas aqui falando sobre ele.
Mas chega né? Escrevi de mais.

Beijos e boa quinta-feira.

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11 de novembro de 2010 08:46 delete

brunno, não é sempre que comento aqui, alias faz muito tempo que não comento em ninguém simplesmente porque não gosto de criticar mas também acho errado puxar saco.

enfim, estou sempre aqui, e mesmo que não entenda tudo o que você quer passar (muito provavelmente por não ter a bagagem suficiente para isso) gosto de fingir que sei :)

ou então desejar saber, o que já me é um passo para o entendimento.

seu blog é um dos melhores que leio, eu chamaria realmente de dom isso que você tem no jeito de manusear as palavras.

um abraço, sucesso com o blog e outras coisas.
ps: não postou mais videos com suas musicas proprias?

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ana moura
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11 de novembro de 2010 20:20 delete

podes crer! adoro o texto, que lindo

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11 de novembro de 2010 22:12 delete

A cada texto que vejo seu me surpreendo ainda mais.Tudo que você escreve,vem do seu coração. Obrigada por seus comentários no meu pobre blog hahahaha.
Bom,se eu mereço a paz, você merece ser feliz!!! Torço por você e sou sua fã. hehehe

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Luiza
AUTHOR
11 de novembro de 2010 22:47 delete

E eu só fui descobrir o quanto gosto do que escreves, quando me peguei tentando interpretar cada vírgula dos seus textos. Aí resolvi parar com isso. Para de limitar o significado de cada palavra. Resolvi deixá-las livres para alcançar minha mente - de primeira - como melhor e mais adequado parecesse pro meu coração (fazer o que se ele me comanda muito mais do que a cabeça? Acho que escrevo com ele. Pouco de inteligência, muito de sentimentalismo)

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Dani Brito
AUTHOR
12 de novembro de 2010 09:35 delete

Caraca Brunninho!
Profundidade define seus textos.
Amo ler...
Eu também gosto do doce do exagero, peças teatrais já escritas são sempre a mesma coisa, o bom é quando as páginas vão sendo escritas pelas danças dos nossos pés.
Mergulhe sempre fundo, é no fundo que se escondem as maravilhas!

Beijos

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helena.
AUTHOR
12 de novembro de 2010 13:31 delete

Você tem um jeito único de escrever.
Passarei mais vezes por aqui.

Fiquei feliz pelos comentários no meu blog!:)

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Ariana
AUTHOR
12 de novembro de 2010 14:26 delete

Se envolver as vezes se torna perigoso, sempre aparece o medo e tal, as incertezas, as duvidas, mas se não arriscarmos nunca saberemos se ira valer a pena!

Belo texto, super bem escrito, adorei!


Beijos

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Kaline
AUTHOR
12 de novembro de 2010 18:46 delete

Nossa! adorei o jeito como vc escreve.
Suas palavras são perfeitas e bem encaixadas. Tem algo diferente nelas que me chamou muita atenção.
Obrigada pelo comentário no meu blog.
Estou te seguindo!

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Ana Beatriz
AUTHOR
12 de novembro de 2010 20:19 delete

Se envolver... é difícil. Quando você se envolve com alguém tão profundamente isso sempre dói, porque seus sentimentos estão ali, expostos, e em qualquer momentos podem ser machucados.

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Jeniffer Yara
AUTHOR
13 de novembro de 2010 00:02 delete

Nossa,que texto maravilhoso! A maneira que escrestes me deixou meio confusa,mas meio que me obriguei á entender ele.
Envolver-se pelo menos pra mim é algo difícil hoje,por já ter me decepcionado,mas existem pessoas que até valem o esforço de deixar-se permitir.

Obrigado pela visita lá no blog o/
Quero sempre voltar aqui,gostei muito do seu blog.

Beijo

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13 de novembro de 2010 19:00 delete

Sempre tenho medo de me entregar no amor e me machucar.Mas hei, meus textos nascem disso.Da insegurança,do término, da esperança.
ARGH, amor é um sentimento tão complicado e mesmo assim vivemos descrevendo cada detalhe, á afim de descobrir o que há por trás (:

-
Quando escrever um livro tu me avisa? HAHAHAH <3
seus textos são demais!

beeijão :)

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Solange
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15 de novembro de 2010 18:57 delete

Bruno,

as grandes histórias também causam grandes sentimentos...

e doem...

belo texto !

beijo

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Thay
AUTHOR
15 de novembro de 2010 22:19 delete

Ah esses seus texto que sempre me cativam.
Ah esses envolvimentos que sempre machucam, causam incertezas, nos complicam, mas são eles que nos movem, que nos dão forças para viver.
;**

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Karine Melo
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16 de novembro de 2010 16:29 delete

'Uma prova de que a inteligência não consegue ser abstrata. A sabedoria não mergulha em águas rasas e eu aprendi a nadar pra chegar na tecla desafinada do piano que não sabemos tocar.'


Você me cativa com suas palavras a cada vez que eu venho aqui.
Acho uma delícia te ler..


um beijo, Bruninho :*

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Patrícia S.
AUTHOR
20 de novembro de 2010 03:29 delete

Adoro seu jeito de escrever. É único... Parabéns! Toca bem fundo da gente. Beijos

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Mila
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21 de novembro de 2010 18:06 delete

"Eu só soube que suas cartas eram boas o suficiente pelo tamanho da fogueira."


...tudo o que eu queria agora, era fazer uma fogueira....

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30 de novembro de 2010 11:42 delete

Depois de tantos desenganos nessa vida, impossível se entregar de corpo e alma a um relacionamento. Sempre haverá o maldito pé atrás que por causa de outra pessoa, nos tornamos desconfiados demais e até inseguros de si. Mas nada que o tempo não mostre que a pessoa certa mereça o nosso melhor.

Adorei seu texto. Vou seguir também!

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.