TRÊS PONTOS (...)

sexta-feira, setembro 10, 2010 24 Comments A+ a-

Vivia num tempo sem leis vigorantes.
Respirava numa época onde zepelins eram helicópteros.
Jurava que minha faca nunca perderia o corte. Costumava ferir instantaneamente e agora nem me lembro quantas vezes tenho tentado lhe tirar uma única gota de sangue.
Minha sabedoria tinha um arquivo inconsciente sobre você. Autenticado em duas vias, esperando pela rubrica dos seus lábios inteligentes.
Toda a burocracia que instalei aqui me agradava gratuitamente. Mas agora eu te vejo jogando papéis importantes ao vento. Todas as suas reticências me tiraram do fã-clube do ponto final.
Eu não sabia do tamanho da sua importância. Ou pelo menos, ignorava o fato.
Eu não imaginava que estar no vagão da sua montanha-russa fosse exatamente tudo o que precisava pra me sentir feliz. Escandalosamente feliz. Invejadamente feliz. Uma felicidade tão exagerada que poderia facilmente ser o oitavo pecado capital.

Eu lhe atiro flechas num olhar disfarçado.
As pegadas sumiram, meus passos não conhecem um caminho seguro na sua direção. Talvez porque sem riscos, não existam glória nem recompensa.
As páginas de frases feitas estão ilegíveis. Nada que conheço parece funcionar, nenhuma medalha oferece algum respeito ou sabedoria.
E na outrora de sentimentos desconhecidos, os meus soldados procuravam por algo parecido.
E quantos ao todo eu poderia comandar?
Teria a ilusão como guarda-costas, e ego como assassino e o amor ficaria à paisana... Afinal, é mais cômodo e menos perigoso.

Desse quebra-cabeça eu só ignoro a paciência. A infinita cautela.
Pra que apenas me molhar quando posso ser mais um habitante de Atlântida?

Não tão distante do seu copo de vinho favorito, eu acordo para lhe fazer dormir.
De todos os presentes que ganhei, o seu tem o laço mais bonito.
Eu tenho medo de abri-lo por completo e perder a ‘eterna surpresa’ que sinto por você.

Se eu precisasse de uma única gota sua, esperaria o dilúvio todo.

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

24 comentários

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Lís
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10 de setembro de 2010 16:08 delete

Texto de beleza fria e majestosa.
Poderia beber toda sua dor, todo seu sangue e ainda assim não me sentiria satisfeita...

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10 de setembro de 2010 16:30 delete

"Eu lhe atiro flechas num olhar disfarçado."

Já fiz tanto disso.
E esperar o dilúvio? Tenho medo de me afogar!!!

Abraço meu.

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Juliana Dias
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10 de setembro de 2010 16:31 delete

Muito bom! Seu blog é show!

Passa lá no meu, se gostar, siga!

beijão!

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Franck
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10 de setembro de 2010 21:56 delete

Intenso, como sempre! Espere o dilúvio, o vulcão em erupção, as lavas...molhe-se e queime-se!
Um bom fim de semana! Abçs!

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Jota
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11 de setembro de 2010 10:41 delete

Fiquei sem fôlego ao ler. Mas é algo que eu sempre me pergunto. O amor é dependência?

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Malu
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11 de setembro de 2010 11:00 delete

Oi , Brunno !
Adorei seus textos ...
Queria te seguir , mas não encontrei o caminho.

Bjo e um sábado de sorrisos ...

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Ariana
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11 de setembro de 2010 12:21 delete

Bem profundo o texto! Adorei!


Tu escreves muito bem!


Beijos

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Bruna Lima
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11 de setembro de 2010 15:43 delete

nossa uma extaidão de sentimento tão grande, um ótimo texto, você se expressa muito bem,adoro ler seus textos, parabéns!

p.s: adorei especialmente esta parte:
Minha sabedoria tinha um arquivo inconsciente sobre você. Autenticado em duas vias, esperando pela rubrica dos seus lábios inteligentes.


me deixa postar no meu blog?
se sim, grata, se não grata tbm pela otima leitura,
varios sorrisos!

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Luiza
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11 de setembro de 2010 19:49 delete

"Se eu precisasse de uma única gota sua, esperaria o dilúvio todo."
Quanta necessidade. Desejo que faz chover em um dia o que deveria chover em três semanas. Talvez toda essa chuva que caiu venha dessa vontade que sentes por ela. Mas choveu demais... e muita coisa foi levada com a chuva. Pra mim ficou a foto que certa vez postei no meu blog: "Chove muito e de você nem uma gota"

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11 de setembro de 2010 22:07 delete

"Uma felicidade tão exagerada que poderia facilmente ser o oitavo pecado capital. "

ôw, isso é bom... Muito bom!
=]]

adorei o texto, como sempre!...

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Bruna F. T.
AUTHOR
12 de setembro de 2010 12:25 delete

oooi ^^
Tem algum jeito de seguir seu blog? Não estou achando.
Adorei tudo, e escutei e música "Sem pensar duas vezes". Muito bonita e bem escrita. Parabéns.
Sucesso com o seu blog. E se tiver como seguir me avisa pra eu virar seguidora.
Bjs ;*

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Lilian.
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12 de setembro de 2010 23:07 delete

Estique o arco e deixe a flecha fluir, sem medo da felicidade.

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Luiza
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13 de setembro de 2010 13:53 delete

Sua genialidade me deixa sem palavras. você sempre brinca com as palavras, parece que se diverte ao mesmo tempo que fala de tão intensos sentimentos. seus textos são um dilúvio de beleza, divinos. parabéns como sempre. beijos

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Kamy
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13 de setembro de 2010 17:37 delete

Eu compartilho da opinião da Luisa: sua genialidade me deixa sem palavras. Pergunto-me quem lhe inspira ou o que, exatamente, lhe impulsiona a falar de sentimentos tão profundos como estes. Pergunto-me também, se tais palavras correspondem a sua pessoa, quero dizer, pergunto-me se você vive o que acredita, o que escreve, ou se é como eu, escreve mil coisas e muito embora você seja aquilo, não consegue demonstrar ao mundo, não que você precise demonstrar qualquer coisa. Simplesmente passa despercebido.

Bom, eu estou deletando meu blog, meu twitter, fotolog, formspring e orkut porque tudo isso tem me tomado um tempo dos diabos, tempo que não disponho. (Sociedadezinha capitalista acaba pesando, uma hora ou outra) Mas já anotei o endereço do seu blog e espero vir aqui, às vezes, ler você, idealizar você e todas aquelas coisas que se faz quando alguém nos impressiona muito. (Não me ache muito boba, por favor.)

Até mais, Bruno!

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Nina Vieira
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13 de setembro de 2010 18:11 delete

Para três pontos distintos, uma interrogação se anuncia. Prazer, Nina. Não precisa saber muito, apenas que gostei daqui e voltarei mais vezes. Um abraço, caro novo amigo.

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Bru Ramos
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13 de setembro de 2010 23:12 delete

Olá :)
sobre o comentario, bom não posso te dizer como funciona, pois o amor é arduo sim, e muito incompreensivel, quem ama sabe sente..

no texto retratei apenas ilusão, pra tentar dormir sem a dor das lagrimas. existem momento sim, como aquele, que eu vivi,. mas que não passou DE ILUSÃO.

reviver ilusão é criar uma dor pro amanha,...


Gostei do bloooog *-*

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Larissa
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14 de setembro de 2010 04:07 delete

Foi só atirar suas certezas ao vento e lá estava você de volta ao jogo. Corajoso e habilidoso como se nunca houvesse parado de praticar. Sua predileção pelo cinza era justificável, entretanto foram palavras coloridas as reveladoras da sua ânsia oculta pelas exclamações e reticências.
Pronto para mobilizar quantos soldados fossem necessários, independente da perspectiva de vitória, esperou pacientemente por uma brecha para adentrar aquele lugar e reaver o que sempre foi seu. As respostas das perguntas mais capciosas, o complemento das suas frases, e a música que sempre te moveu, ficaram escondidos, por quase cinco anos.
Tinham acabado de estender o tapete de boas vindas quando você entrou.
Do lado de fora da janela, alguém sorria e observava silenciosamente sua expressão pasma. Ela não poderia prever o que o despertar da doce inquietude viria do encontro despretensioso, com o dono daqueles bolsos cheios de poesia...

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.
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14 de setembro de 2010 13:10 delete

Você tem uma facilidade para assimilar palavras que é surpreendente,reconheço,você sabe mexer com o imaginário feminino,espero que o seu dilúvio chegue para mim, e para quem realmente espera por ele.
Em suma, uma boa leitura.
Agradeço.

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14 de setembro de 2010 15:08 delete

Intenso..
Fiquei preso a suas palavras.

Belissimo texto.

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Aline Camilo
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14 de setembro de 2010 19:00 delete

muito lindo isso que você escreveu!
*-*

curti demais seu blog. :D
sucesso

beeeeeeeeeeeeijos

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Ná Lima
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15 de setembro de 2010 21:28 delete

Quanta intensidade em uma lacuna de três pontos... gosto disso.

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Camila Paier
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15 de setembro de 2010 22:26 delete

Uma pena, Brunno, que nem todos os homens pensem como tu. Que muitos se contentam com a gota, e caem fora. Que até mesmo, desprezam tal gota. Na verdade, são cegos e alheios aos detalhes - o que é mais triste ainda.
É bom saber que existem ainda homens como tu, que sentem e o colocam pra fora!
Beijo grande

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bruna
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21 de setembro de 2010 11:15 delete

"Você não faz idéia de quantas vezes desafiei sua negação para o ringue.
E eu sei que você não se esquiva pra fugir. Você só espera pelo meu melhor golpe.
Mas o nocaute não combina com o seu tipo de luta." Adorei o jeito como escreve, é informal e prende muito
Vouseguir aqui
Beijos

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.