PÃO-DE-MEL

sábado, agosto 21, 2010 22 Comments A+ a-

Pão-de-Mel. Um brigadeiro embaixo daquela árvore depois de correr tanto.
É doce? É rapido e indiferente?
Chuva de uva, cores vivas, um beijo.
Te convido para um passeio de balão. O mundo segura passagens de avião.
Eu agora não grito pra lhe dizer a verdade. De verdade.
Eu quero desabotoar o seu medo e olhar de perto as suas marcas de vida.
Pão-de-mel. Quanto açúcar você colocou no meu café-da-manhã?
Te olho nos olhos por não ter coragem de olhar pra mais lugar nenhum.
É a sua visão ou as sombras da vida cotidiana?
Meu anjo da guarda mudou de time e me liga toda vez que eu perco.
É o senso de humor do meu vídeocassete, do meu dvd, das minhas tecnologias que por mais antigas que sejam, conseguem ler o seu arquivo.
Meu pendrive te vê como um vírus mas te aceita.
Te coloca na corrente sanguínea digital e evoluída de alguém que abandonou os castelos e mandou a coroa de príncipe pelos ares.
Comprei rosas e embrulhei no jornal. No caderno de economia.
Ironia? Eu não economizo palavras nem para salvar o próprio cotidiano.
Mas e então? Não temos grana pro jantar, mas eu morro de fome de você.
Fico ruborizado quando o sinal fecha e o vermelho lembra o batom que você NUNCA usou.
Músicas que deixei de ouvir pra saber se seu coração batia mesmo.
Você precisava do meu sobrenome, precisava da minha coleção de selos.
Queria aplausos, queria uma perfeição que nos escondesse dos outros.
Não é a bebida que me faz mal. É o seu copo.

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

22 comentários

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21 de agosto de 2010 20:19 delete

Podem alguns achar rebuscado, enxergar círculos, mas eu sempre senti tudo isso maravilhoso, como todas as pessoas que comentam por aqui, eu só consigo acha mágico, é um dom que eu sempre admirei em você

Embora o seu batuque nas coisas, a imitação do alborghetti, sua mania de rir me batendo, me faça mais falta que a unica carta que me escreveu em um dia de tédio.
E que nunca será publicada por aqui.

Como sempre o final dos seus textos dá aquele aperto na gente.

O melhor pão de mel que eu comi, foi dividido com você e creio que você nem deve se lembrar.

Talento de quem sabe demais.

Como sempre.

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21 de agosto de 2010 21:07 delete

"Eu não economizo palavras nem para salvar o próprio cotidiano."

Gostei muito mesmo.

Abraço meu.

Bom domingo.

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Cris .
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21 de agosto de 2010 23:22 delete

Nunca usei um batom vermelho,
jura pra mim que quando teu livro tiver pronto você me convida para a noite de autografos ?

sua linhas de desamor me fazem um bem danado.

Beijo estalado.

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Camila Paier
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22 de agosto de 2010 00:59 delete

Linda declaração, hein meu amigo Brunno? A mim, tem me faltado alguém que adocique meus dias, e não economize gestos, palavras e contextualizações para o amor. Todo esse sabor delicioso de viver está em falta por aqui, e eles nem ao menos sabem me dizer quando vai ser reposto, do estoque para a alma.
Preciso dizer que, me fez refletir longe, e me emocionar? Tu é um querido, Brunninho.
Beijoca!

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22 de agosto de 2010 09:32 delete

Adoro pão-de-mel(?).Tão doce e gostoso *______*

=


beeeijão.Adoro seus textos - vale lembrar.

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22 de agosto de 2010 12:00 delete

Vc é, REALMENTE, um jogo perigoso de jogar.
Arriscado.
Um vírus que talvez nunca possa ser deletado.
Não merece ser deletado.
Merece chuva de sorrisos.
Merece ser feliz.
TEM que ser.
Precisamos ser.

Meu blefe agridoce, um beijo no seu sorriso ;*

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Franck
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22 de agosto de 2010 13:17 delete

Os seus textos são intensos tbém, meu caro; uma colagem, um video-clip, uma chuva de uva, um avião, um copo, uma moça bèbada, um momento, uma noite, um blues...
Gosto de lê-lo e sentir esse gostinho de pão-de-mel numa manhã de domingo! Abçs!

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Luiza
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22 de agosto de 2010 16:55 delete

meus comentários se assustam perto das suas extraordinárias palavras. sério! até publiquei duas frases no twitter, dando o crédito, certamente. tua escrita é demais. sinceramente, demais! adoro, é viciante! beijos

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Thay
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22 de agosto de 2010 20:23 delete

Ah esses seus texto sempre muito bons.
Não me canso de lê-los, fazem bem
;**

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Larissa
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22 de agosto de 2010 20:51 delete

"Músicas que deixei de ouvir pra saber se seu coração batia mesmo."
Existirá sempre a dúvida se o coração bate tanto quanto o nosso.
Suas palavras passam lentamente pelos meus olhos, dando um gosto enorme de passar sempre por aqui. Colírios que hei de usar sempre que precisar :)

Como o "sempre" persistiu nesse comentário. haha :)
Um beijo.

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Dani Brito
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23 de agosto de 2010 13:49 delete

Brunninho, estou lendo as postagens com atraso porque tô numa gripe ducão!
Mas meu, olha só que coisa linda que você escreveu...me prendi muito nessa parte "Eu quero desabotoar o seu medo e olhar de perto as suas marcas de vida".
Sensacional.
Toda vez que leio aqui sinto que você fala sublimemente de um amor que foi embora...
Beijo
=)

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Camila
AUTHOR
23 de agosto de 2010 22:07 delete

Sempre tem um trecho seu que me encanta em especial, e dessa vez foi esse:
"Não é a bebida que me faz mal. É o seu copo."
Lindo :)

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Karine Melo
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24 de agosto de 2010 01:42 delete

ah, menino. Com esse teu comentário, me fizeste imaginar você e seu Ipod, ouvindo tuas músicas preferidas, nesse exato minuto.

E esse teu texto, o que dizer? Maravilhoso, Bruno!

beijão :*

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Nanda
AUTHOR
24 de agosto de 2010 09:18 delete

Lindo demais..

"Meu pen drive te acusa como vírus, mas te aceita"


meu beijo!

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Larissa
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25 de agosto de 2010 09:14 delete

Preciso registrar meu riso!

Não imaginava que você fosse tão pós-moderno, tão tecnológico...

Não vou elogiar seu texto, apenas lhe recomendarei meu técnico de informática para fazer um check up no seu sistema, antes que este pen drive 'doente' contamine o pouco de juízo que ainda resta no seu hardware...

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25 de agosto de 2010 15:20 delete

Sublime!

Impossível não devorar ou desviar os olhos dessas palavras.Dá vontade de pegá-las,e guardá-las...

E é um texto instigante,claro.
às vezes também sinto a nostalgia do que nunca existiu...Um vício de sentir falta de tudo que ainda não vi - como o batom vermelho.

Abraços!

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26 de agosto de 2010 14:00 delete

Simplesmente... perfeito.
Parabéns.

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Carolyne Mota
AUTHOR
26 de agosto de 2010 18:12 delete

Quando um texto é bom demais, eu simplesmente não sei o que comentar. Fico muda, sem palavras, mesmo que busque lá do fundo, ainda sim elas não vem. Talvez meus elogios se surpreendam com teu tamanho dom e se intimidem.
Só consigo pensar na beleza e sensibilidade que teus textos me transmitem, é so isso que eu consigo descrever.
Um beijo.

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27 de agosto de 2010 00:30 delete

"Não é a bebida que me faz mal. É o seu copo."


adorei como sempre

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29 de agosto de 2010 19:32 delete

"Músicas que deixei de ouvir pra saber se seu coração batia mesmo"

Lindo Bruno, simplesmente Lindo!
Parabéns.

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Bruna Lima
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11 de setembro de 2010 15:51 delete

a tradução de sentimentos muito bem descritas por você,
e o amor, o beijo, o "simples" querer. Nos fazem com que qualquer coisa deixe de ser perigoso ao nosso coração em comparação com a pessoa desejada, otimas palavras!

"Não é a bebida que me faz mal. É o seu copo."

gostei muito!

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.