ESTAÇÕES

segunda-feira, agosto 16, 2010 28 Comments A+ a-

Todos aqui estão absolutamente partidos.
Arrependido por voar ali, no ombro que você me comprou.
Amores jovens à nossa mesa, um guarda-chuva para sentimentos.
A poeira do tempo me ensinou a te esculpir. Me obrigou.
Tenho aquela interrogação de como ficou o meu presente. De como meus álbuns se debatem na sua gaveta.
De como minhas cartas lhe cobrem o corpo quando faz muito frio e nenhum cobertor é suficiente.
Todos aqui estão absolutamente partidos.
Claro que não precisei comprar sorrisos. Por azar ou sorte, eu nasci sendo o maquinista da montanha-russa,
o cavalo esquecido do carrossel.
É aquela piscina na sombra dos seus olhos. Não seria vago se não fosse potencialmente angustiante.
Todos aqui estão absolutamente partidos.
Mas não sou eu que sei colar, não sou eu que fixo, não sou eu que costuro, não sou eu que faço durar.
Eu posso até segurar uma rosa. O problema é que qualquer coisa nas minhas mãos vira uma arma mortal.
A minha segurança é uma armadilha. O meu abraço não é um convite de casamento.
O meu beijo não é uma viagem de primeira classe, mas sempre vai te levar além da compreensão dos astrônomos.
Não é tão alto, mas se você cair, vai se machucar mesmo.
Ao contrário dos conquistadores ambulantes, eu sangro com as suas cicatrizes.
Se alguém toca o seu cabelo, meu ar arruma as malas.
É assim que a felicidade me cobra. Não pela perfeição da existência, mas pelos meus gastos com amor-próprio.
Eu me libertei das grades que construí com os seus sonhos esquecidos.
A minha matéria-prima e o meu produto final (o que está nas prateleiras) é você.
Isso certamente não muda com as estações.

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

28 comentários

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16 de agosto de 2010 23:10 delete

É muito sentimento guardado.
É muito coisa escondida.

É muita objetividade para uma coisa tão simples, tão GRATUITA.

É muito Brunno Lopez.

Por isso admiro sua forma de escrever.
Admiro o fato de conseguir tomar suas decisões, sem se arrepender.

Esta incrivel, Lopez.

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Sil..
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16 de agosto de 2010 23:26 delete

Sem palavras....sem respiração...

O texto fala pos si só!

LINDOOOO, Bruno!

Um abraço meu!

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Franck
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16 de agosto de 2010 23:31 delete

E que essa pessoa esteja na primeira prateira, ao alcançe da mão...não esqueça de levr o guarda-chuva, pode chover, ah, nem de comprar superbond, pode precisar para colar os caquinhos...
Uma boa semana! Abçs!

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mhiato
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17 de agosto de 2010 01:34 delete

Eu sou capaz de sentir:

"Mas não sou eu que sei colar, não sou eu que fixo, não sou eu que costuro, não sou eu que faço durar."

escrever ultrapassa as barreiras do tempo, é isso que dura, é isso que cola.

já viciei :*

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Anna Soares
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17 de agosto de 2010 09:51 delete

Eu li umas 18x.
Também não sei colar.
Não sei nem o que dizer.

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Dani Brito
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17 de agosto de 2010 10:46 delete

Brunno, eu acho incrível essa sua forma de brincar com as palavras transformando-as em metáforas, tipo " um guarda-chuva para sentimentos".
Você foi tão realista e ao mesmo tempo tão profundo.
Lindo, perfeito, indecifrável mas compreensível!

Beijos

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Camila Paier
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17 de agosto de 2010 11:49 delete

"Tenho aquela interrogação de como ficou o meu presente. De como meus álbuns se debatem na sua gaveta."
Essa mesma inquietação reflete também meu momento atual. Brunno, Brunno..Vir aqui sempre me inspira! É incrível como me vejo nas tuas palavras, por entre essa confusão toda que são dois mundos tão longes e distintos que são os nossos, e se reconhecer em tudo isso. Preciso dizer que, te admiro, e amei cada palavra aí escrita? Acho que não precisa. Vem te superando a cada dia, e como é ótimo poder vislumbrar esse crescimento gradual.
Um beijo!

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17 de agosto de 2010 13:11 delete

Mais uma vez poeticamente fascinante. Eu gosto dos seus jogos de palavras; das metáforas exgaredas, personificações inusitadas, comparações cruéis e dos anacolutos sem esxplicação. Mas se parar pra pensar, há muito amor perdido dentro de você que vem se refletindo texto a texto. No fundo mesmo, é sempre o mesmo amor, que nunca foi recíproco. Sempre o mesmo amor. Mais uma vez, um texto fantástico.

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17 de agosto de 2010 15:16 delete

Brunno, você com certeza quer me fazer chorar ou algo do tipo. Uma palavra? Perfeito, se é que algo pode ser perfeito ~érr, enfim~

Amei, amei, amei, amei. Vai para a minha parede. Sinta-se honrado, lá só tem os textos que eu acho mais lindos do mundo inteirinho *--*

Maravilhoso. Sem palavras, aqui. ♥

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Cacheada
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17 de agosto de 2010 17:57 delete

eu senti uma mistura de estações de trem com estações de ano!
achei gostoso o texto...
;)

você é demais

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17 de agosto de 2010 20:52 delete

Nada é tão líndrico quanto SEUS textos.
Tudo vem de dentro, dali, do fundo, do coração.
Coração esse, que já foi pintado e bordado e, que agora, necessita respirar.
Tomar ar. Se renovar para o próximo suspiro.

Vc tem o cavalheirismo que NUNCA deveria ter sido esquecido.
Vc tem o romantismo que a maior parte das pessoas carece.

O carrossel estacionou a espera de novas cores.
Cores fortes, vibrantes, intensas.
Cores que não se gastam, não se apagam com o tempo.
Um arco-íris completo, que todo fim de tarde estará ali, vislumbrando o infinito na constante busca pela felicidade.

O cavalo anseia um novo galope.
Seguro, sem quedas.

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Ariana
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18 de agosto de 2010 00:00 delete

Gostei do poema, cheio de sentimento!

Adorei a forma como escreves, muito bem por sinal!

Seu blog é show, adorei!


bjos

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Dany
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18 de agosto de 2010 09:39 delete

Muito bom, como sempre!!! Seus textos nos fazem pensar e eu gosto disso..
Bjss querido e fique com Deus!!

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18 de agosto de 2010 09:45 delete

É assim que a felicidade me cobra. Não pela perfeição da existência, mas pelos meus gastos com amor-próprio.

Bonito Brunno.
Muito bonito, como sempre.

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18 de agosto de 2010 13:23 delete

'Eu posso até segurar uma rosa. O problema é que qualquer coisa nas minhas mãos vira uma arma mortal'

Brunooo, quanto tempo.. tava sentindo sua falta!

Beijos

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Luiza
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18 de agosto de 2010 16:19 delete

Poetas amam outros poetas, mas acima de tudo, poetas amam aquilo que vira poesia. E amam até apertar, até partir. Isso não muda com estações, anos, nem com o temporal que está previsto até o final do mês...

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Luiza
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18 de agosto de 2010 21:39 delete

Não Brunno, não posso crer. me ganhou mais uma vez. você sempre me ganha com suas palavras, é incrível. eu não resisto a vir aqui mesmo cansada, ou sem tempo, tu é foda com as palavras, desculpe o uso dessa. mas é realmente incrível teu dom, é demais *_* maravilhoso é apelido! sensacional. beijos
"A minha segurança é uma armadilha. O meu abraço não é um convite de casamento."

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Ju Fuzetto
AUTHOR
19 de agosto de 2010 09:02 delete

Ual, cara!!!

Adorei teu espaço.

Tuas letras realçam a beleza de uma poesia moderna...


Parabéns, voltarei mais...

beijo e Bom restinho de semana!!!

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19 de agosto de 2010 09:58 delete

Depois de ler todo o seu texto, só consegui recitar para mim essas palavras: "Todos aqui estão absolutamente partidos."

Abraço meu.

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B.
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19 de agosto de 2010 16:30 delete

é como costumo dizer: as vezes a gaveta da alegria fica farta de estar vazia.

Você tem ótimos textos menino, me cativou com tua escrita.
Parabéns.

Paz.

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Thais Alves
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19 de agosto de 2010 19:19 delete

Como sempre seus textos fazem brilhar o mais triste dos olhos. Seu modo de escrever me fascina e espero um dia, daqui milhões de reencarnações chegar perto da arte que está dentro de você.

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20 de agosto de 2010 08:17 delete

Pra variar, sempre com textos maravilhosos!

;*
Marina

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20 de agosto de 2010 19:31 delete

Você consegue 'brincar' com as palavras, e mesmo assim transformando-as em lindos versos que nos comovem á cada palavra *_*
Você é demais,Bruno :)

-

beeeijão (L)

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Cris .
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21 de agosto de 2010 00:03 delete

Tãaao Intenso quanto o meu abraço em Ti.

Indecifrável Bruno.
meu livro de cabeceira.

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Naia Mello
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21 de agosto de 2010 13:37 delete

Que essa pessoa seja acessível!

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Carolyne Mota
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21 de agosto de 2010 16:41 delete

O amor-próprio em cena que nos faz desitir quando queremos parar um trem com flores no trilho, como diz uma música.
Talvez se esse tal de amor próprio não fosse tão orgulhoso, as coisas seriam mais diferentes e compreensíveis.

O texto está absolutamente incrível, Brunno.
Um abraço.

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Little Ann,
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22 de agosto de 2010 12:09 delete

uaaaaaaaaaaaaaal !
você sempre me surpreende.
sempre tão profundo a sua forma de escrever.
(estou sem net e acredito que vou perder seus proximos textos ,mas quando voltar eu leio todos para ficar em dia )
um beijo, bruno <3

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Ju Fuzetto
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23 de agosto de 2010 09:36 delete

Ah eu não resisti passei novamente pra reler... é tanta poesia misturada a doçura de sentimentos nobres....

beijo e boa semana!!!

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.