ANTICORPOS

sábado, março 20, 2010 1 Comments A+ a-



Todas as palavras que meus lábios não sabiam pronunciar:
- ‘Era tão simples fazer das cortinas um leque do tamanho da nossa felicidade!’

Minha alma age como se soubesse em qual gaveta se esconde a cura.
Os anticorpos não funcionam em patologias abstratas...
A grama desse jardim nunca foi verde mesmo, por que então chamar nossa antiga casa de lar?

Meu sorriso sempre terminou como uma página rasgada ao meio.
Ainda ouço o som da porta que se fechou atrás dos meus ombros.

Meu sangue não é vermelho o bastante. E nós ganhamos um choque anafilático.
Eu não acredito mais nas legendas dos filmes.

Por que simplesmente não guia meus dedos para os números certos?
É uma carta sem destinatário. A mensagem na garrafa.

A gente procura química onde só existe teoria.
Encontrar-se diante de um espelho quebrado é enxergar o reflexo por olhares indiferentes.

Não podemos mais pintar esse quadro sozinhos.
As cores saíram de moda. A verdade saiu de moda.
Em qual mentira devo acreditar dessa vez?

‘O amor nos leva tudo o que temos de bom e não nos dá a chance de pegar de volta as emoções que investimos.’

O verão nunca começa para os falsos apaixonados.
É apenas um inverno onde a neve ainda não caiu.

Imagem: Jonatan Kronqvist

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

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